Mito ou verdade?

Opaaa, olha nós aqui de novo! 🙂

Bom, hoje não tem um tema em específico, na realidade vai ser mais um “resumão” de tudo que já conversamos aqui… em forma de mito ou verdade!

Comecemos, então?

Primeira questão…

Vinho se faz com qualquer tipo de uva!

Epa… Pra fazer vinho, basicamente, a casca precisa se soltar da polpa… se você apertar a baga levemente, a película vai se rasgando e soltando toda a polpa… com essas uvas, você pode fazer vinho. Agora, é complicado pegar as uvas com a película presa à polpa, como uma variedade Itália ou Red Globe, pra vinificar, né?Então é MITO, não se pode fazer vinho com qualquer uva! 😉 Qualquer duvida, falei sobre isso laaaá no segundo post da coluna..

Uva pode ser colhida o ano todo.

Infelizmente não… 😦 a uva tem um ciclo anual, e aqui no RS só dá pra colher do finalzinho de dezembro até março… de resto, não tem nadinha de uva. Nem umazinha. Aqui funciona assim por conta do inverno, que a planta entra em dormência e não temos condições climáticas de dar sol e calor suficientes pra planta se desenvolver. No nordeste, onde é calor e seco o ano todo, eles podem gerenciar o ciclo e desenvolver de maneiras diferentes cada quadra plantada, podendo haver colheita o ano todo. Então: No sul, MITO, no nordeste, VERDADE!

É adicionado álcool ao suco de uva pra se tornar vinho..

Naaanana… o vinho é feito por um processo natural, chamado fermentação, onde as leveduras transformam o açúcar da uva em álcool.Nada de adição! Então: é um MITO! ^-^

Dá pra fazer vinho branco com uva tinta.

Gente… verdade! São os chamados Blancs de Noir, vinhos brancos feitos a partir de uvas tintas, afinal, a cor está na casca. Se não houver contato do líquido/mosto da uva com a casca tinta, não haverá passagem de cor! Então, VERDADE!

Uva tinta polpa branca.JPG

Achei essa foto linda, hahahha olha ela… mas dá pra ver certinho ali a polpa branca na uva tinta, né?

Todo vinho é de guarda.

Opa! Nem todos os vinhos são de guarda, alguns são feitos justamente pra serem consumidos em pouco tempo, certo? Como meu pai diz… Uma queijaria tem seu mussarela e seu parmesão. O parmesão precisa de tempo pra amadurecer, e o mussarela é pro dia dia, de venda corrente. O parmesão custa mais caro por conta desse tempo amadurecendo, o mussarela já é mais acessível… esse é o ritmo! Então é um MITO: nem todos os vinhos são de guarda. E ah! Até os de guarda tem sua hora de decadência..

O vinho pode ser servido a qualquer temperatura.

Olha, com sinceridade? VERDADE. A única pessoa que pode dizer o que você pode ou não pode com seu vinho é você mesmo! Vamos parar de ditar regras e beber mais, né não? Hahahahah… Existem indicações de temperaturas ideais, mas quem realmente deve escolher a temperatura final é você, consumidor. Existe até uma campanha super tri com o Passion da Chandon, que deve ser tomado com uma pedrinha de gelo, viu? 😉

Champagne é mais dificil de fazer do que espumante.

Não me arrasa não! Falamos aqui sobre espumantes, que são vinhos fermentados duas vezes… brevemente sobre o método charmat e detalhadamente sobre o método champenoise. O champagne nada mais é do que um espumante feito APENAS na região de Champagne, na França, pelo método champenoise! Nada além… Aqui no brasil temos diversos espumantes feitos pelo mesmo método, só não são champagnes! Heheh Então: MITO!

Casa-Valduga-Espumante-Metodo-Champenoise

Processo de remuage do espumante feito pelo método champenoise

Os espumantes brasileiros estão entre os mais premiados do mundo.

É com muito orgulho que eu digo: VERDADE! Nos últimos anos temos ganhado medalhas e prêmios internacionais, além do reconhecimento do público do mundo todo que tá sabendo que nosso vinho é de qualidade! Lembrando que: o gás é advindo da segunda fermentação, não é adicionado, ok?

Os aromas que encontramos nos vinhos são essências adicionadas.

Uma das perguntas mais comuns… falamos sobre isso detalhadamente no post sobre aromas do vinho. Os aromas encontrados no vinho são advindos apenas da uva, da fermentação e da maturação em madeira, nada além, sem adições, ok? O único vinho que pode ter adições é o chamado “vinho composto”, como martini, catuaba… mas aí já é assunto pra outro post 😉 portanto… MITO!

As uvas ainda são pisadas pra se fazer vinho.

Uma das dúvidas mais engraçadas e piniquentas! Hahahah… na realidade, as uvas não são mais pisadas, porque existem impurezas que podem ser passadas pro vinho, afinal é meio nojento… vai saber quanta frieira não tem ali. Hoje existem métodos mais tecnológicos, com máquinas que desengaçam e prensam a uva, sem que ninguém precise pisar. É MITO!

Gente… deu pra relembrar legal? Eu só peguei algumas questões dentre milhõooes que podemos fazer, então nada impede de voltarmos nesse assunto de mito e verdade em breve, então fica de olho! Quem sabe futuramente abordo aqueles temas que todo mundo comenta… “vinho engorda?”, “uma taça equivale a uma hora de academia?”, “faz bem pra saúde?” e muitas outras mais dia a dia e menos técnicas, né? Então tá. 🙂

Por hoje a gente fica por aqui, a ideia era realmente só fazer um papo-rápido relembrando algumas coisas importantes que já comentei aqui no blog. Qualquer questão que surgir dúvida, não pense 2x, pode me mandar que eu respondo prontamente!

No mais, fico por aqui, espero que tenham relembrado um pouquinho de tudo que já aprendemos aqui. ^-^

Beijo no ❤

Bea

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Espumante ou champagne?

Nota inicial: no final coloquei um mini-dicionário das palavras novas complicadinhas que aprendemos hoje, ok? ❤

Oi pessu!

Aproveitando que a gente tá mais pra lá do que pra cá quando se trata de fim de ano, pensei em responder hoje uma pergunta bem válida pra essa época “pré-festiva” quando se é iniciante no mundo do vinho:

Qual a diferença entre o champagne e o espumante?

Não seria tudo a mesma coisa?

Pois então… não! E ao mesmo tempo… sim! Mas calma que eu te explico o porquê.

Em primeiro lugar… vamos definir o que é um ESPUMANTE:

O espumante é o resultado de um vinho que passou por duas fermentações. A primeira é a fermentação alcoólica, que transforma a uva em vinho. Esse vinho em específico, chamamos de vinho base. Essa fermentação acontece a partir das leveduras, que consomem o açúcar e o transformam em álcool e gás carbônico. O gás é liberado e resta apenas o álcool presente.

A segunda fermentação deve levar o vinho base, com 1 atm para 4 a 6 atm de pressão, e pode acontecer através de dois métodos diferentes: charmat e champenoise.

  • Charmat, ou “em tanque”:

É utilizado geralmente por vinícolas de maior porte, por ter um custo inicial bem salgadinho… são necessários tanques de inox que suportem pressão. A levedura é adicionada ao tanque de inox pra que ocorra a segunda fermentação ali mesmo. E aí sim, teremos a permanência do gás que caracteriza o espumante. Após o término da fermentação, é necessária uma enchedora específica, pra que seja mantida a pressão durante o enchimento – o que encarece ainda mais o processo.

Geralmente os espumantes feitos pelo método Charmat tem maior frescor e drinkability, já que o vinho não fica muito tempo em contato com a ~levedura morta~ após o término da fermentação, deixando-o mais leve, descontraído e com aromas mais frutados, cítricos e tropicais.

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Na Chandon, o coisa fofa do Rafael Smaniotto tirando uma amostra do espumante em fermentação no tanque de inox (sim, dá pra provar!!!!) 🙂

  • Champenoise, ou tradicional, ou clássico:
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Espumante Dona Bita, com maturação mínima de 70 meses, da Don Giovanni.

A levedura é adicionada ao vinho base e, em seguida, esse vinho já é engarrafado. A segunda fermentação acontece dentro da garrafa. Nesse momento, a vedação ainda não foi feita com rolha, e sim com a tampa corona (a mesma da cerveja). Após o término da fermentação, as garrafas devem ser deixadas paradas por um tempo, pra que os aromas de “vó fazendo pão” (de levedo) não fiquem tão ressaltados. Nisso, o espumante permanece em contato com a levedura, o que chamamos de autólise. Esse tempo pode ser de 6 meses, 18 meses, 36 meses… temos espumantes em edição especial que podem chegar, por exemplo, a 70 meses, como o caso do espumante brasileiro Dona Bita da vinícola Don Giovanni.

autolise

Autólise, na vinícola Guatambu.

Gente… são QUASE SEIS ANOS da garrafa ali, parada, pensando na vida – no caso fazendo a autólise. Esse tempo de contato com a levedura gera uma maior complexidade da bebida em termos aromáticos, afinando também a perlage (ou bolhinhas) e dando volume de boca. Haja valor agregado, né?

Pra retirar aquele precipitado de leveduras da garrafa, são necessários pupitres, onde são encaixadas as garrafas em posição horizontal, e então é realizada a rémuage: todos os dias, todas as garrafas devem ser giradas 1/4 da circunferência, e levadas lentamente até a posição vertical. Dessa maneira, toda a borra presa ao vidro se acumula no gargalo, e o vinho fica límpido. Pra retirar a sujeira dali, acontece o degorgement: a garrafa é colocada ainda de cabeça pra baixo num recipiente que congela o sedimento, expulsando-o junto à tampa com a pressão. Em seguida, é adicionado o licor de expedição, que vai definir em dosagem de açúcar se seu espumante é nature, extra-brut, brut, seco, demi-sec ou doce.

classificação açucar

Classificação dos teores de açúcares dentro da legislação brasileira.

Esse método é interessante para pequenas produções e não exige um custo inicial elevado. Porém, em caso de muitas garrafas, deve haver espaço o suficiente para que sejam armazenadas. Alguns espumantes método champenoise famosos são o 130 da Valduga, o Évidence da Salton, o Miolo Cuvée Tradition, Dal Pizzol Nature 40 anos, Terroir Rosé Brut da Cave Geisse… coisa boa é o que não falta!

Boooooooom…. agora que já aprendemos a fazer um espumante, em especial pelo método tradicional… e o champagne?

Então… o champagne é o espumante produzido na região que leva o mesmo nome, no nordeste da França, e tem leis bem rígidas que controlam a produção da bebida. Uma das especificações, é o uso exclusivo de apenas 3 variedades na vinificação: Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier. O nome “champagne” é uma AOC, uma Denominação de Origem Controlada, a mais rigorosa da França. A palavra, por lei, só pode ser utilizada pra denominar os vinhos dessa região, nenhum outro além. A regulamentação que definiu essa colocação específica aconteceu em 1927, então depois dessa data, o registro é bem claro: Nenhum vinho espumante no mundo pode ser chamado de champagne, a não ser os produzidos na região de Champagne.

champagne

Região de Champagne, na França.

O champagne é OBRIGATORIAMENTE feito pelo método champenoise, o qual ensinei ali em cima – e por isso descrevi nos mínimos detalhes. Nisso entra o Dom Pérignon, monge beneditino que descobriu que eram necessárias garrafas mais grossas pra que a pressão não as estourasse. Também tem a Veuve Clicquot (viúva de François Clicquot, Nicole Ponsardin) que desenvolveu o método pra retirar a borra de dentro da garrafa e tornar o vinho – que antes era turvo e com sabor de levedo – límpido e mais agradável em boca. Um champagne deve ficar NO MÍNIMO dois anos em autólise, e os especiais podem chegar a cinco anos. A graduação de açúcar final também é diferenciada da legislação brasileira.

Por fim, vale ressaltar a famosa frase:

Todo champagne é um espumante, mas nem todo espumante é um champagne!

Infelizmente ainda tem sido difícil “desacostumar” o consumidor brasileiro a falar champagne e utilizar o termo “espumante”… mas com o tempo chegamos lá.

E antes de finalizar o post de hoje peço, de todo meu coração:

Tome espumantes brasileiros, se orgulhe da produção nacional, linda e premiadíssima no mundo todo! Garibaldi é a nossa capital nacional do espumante, local escolhido no aqui no RS em 1973 para a implantação da Chandon Brasil, lar da Rota dos Espumantes, cidade linda de viver. Tem produtos de todos os tipos, pra todos os públicos, com medalhas em diversos concursos internacionais, que são comercializados em todo canto do mundo… vale a pena conferir, né?

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Juro: é uma das cidades mais fofas que já conheci.. hahahahah

E vale ressaltar: a maneira certa de se guardar um espumante é de pé, e não deitado, certo? Em caso de viagens, evitem carregar em mochilas ou despachar na bagagem, porque o risco de estouro e estrago é grande!

No mais, gostaria muito de especificar outros métodos de espumantização e colocar também alguns produtos que encontramos por aí como Lambrusco, Prosecco, frisante… mas já deve estar todo mundo zonzo com tanto francês! Hahahahah

Espero que tenham gostado do post, ficou um pouco compridinho, mas agora dá pra sair contando pra todo mundo como se faz champagne! Qualquer dúvida, estamos sempre aqui pra tirar, cês sabem né?

Beijo no ❤

Bea

Mini-dicionário:

Autólise: Tempo de amadurecimento do espumante em contato com as leveduras, já mortas, após o final da segunda fermentação.

Blanc de blancs: Espumante branco feito apenas com variedades de uvas brancas. Para o champagne, 100% Chardonnay.

Blanc de noirs: Espumante branco feito apenas com variedades de uvas tintas. Para o champagne, Pinot Noir e Pinot Meunier.

Champenoise: Método de espumantização na garrafa.

Charmat: Método de espumantização em tanques.

Degorgement: Fase final do espumante, onde a borra é congelada no bico da garrafa após a remuage. Objetiva a limpidez do produto final.

Drinkability: “Facilidade” ao beber.

Licor de expedição: Açúcar + vinho + conservante. Define, de acordo com a quantidade de açúcar presente, se o vinho vai ser nature, extra-brut, brut, sec, demi-sec ou doce.

Perlage: Borbulhas do espumante.

Pupitres: Cavaletes de madeira idealizados para fazer a remuage das garrafas após o fim da autólise.

Remuage: Processo de “giro” da garrafa pra levar toda a levedura presente no líquido para o bocal.

Vinho base: Vinho com acidez mais elevada, resultado da primeira fermentação, que futuramente será um espumante.

Volume de boca: Sensação de viscosidade, preenchimento de toda a boca ao degustar um vinho.

Viticultor, Enólogo, Sommelier, Enófilo… quem é quem?

Opa! Como estamos? 🙂

Bom, como pode ser visto no título de hoje, eu vou dar uma fugidinha rápida do “tour” pela Serra Gaúcha aqui no blog pra esclarecer alguns termos que, muitas vezes, acabam sendo meio confusos pro público em geral.

Quando eu não entendia bulhufas de vinhos, não fazia a menor ideia do que significava cada título e quais eram os privilégios e os atributos de cada perfil. Então hoje, antes de mais nada, vamos entender qual a diferença entre esses 4 nomes, e onde eles se encaixam na cadeia de mercado e consumidor.

VITICULTOR

adjetivo substantivo masculino

que ou aquele que cultiva vinhas

viticultor

Comecemos pelo começo sempre né? Não existe vinho bom sem uva boa. E essa é a função do viticultor. É por vezes o senhorzinho dono da propriedade, com as unhas sujas de terra, que conhece cada cantinho dos seus parreirais. Pode ser um produtor com conhecimento empírico, que o pai ensinou o que o avô ensinou, que por vez o bisavô ensinou? Pode. Pode ser um produtor com conhecimento técnico sobre o cultivo de videiras, que se especializou na profissão, investiu na causa e plantou uvas? Pode também. O viticultor pode plantar uvas tanto destinadas à produção de vinhos quanto ao consumo de suco ou in natura. 

É função do viticultor conhecer o solo em que está plantando e administrá-lo com nutrientes da melhor maneira para que a vinha se adapte, e escolher a variedade para plantio, manejando por todo o ciclo, até que se complete a safra. Depois disso, planejar o novo ciclo, para a safra seguinte.  Por três anos em média, uma videira há pouco plantada possui apenas ciclos vegetativos, onde a planta ainda não é capaz de produzir frutos, ou produz muito pouco. O manejo da videira inclui as podas, as desfolhas, os raleios de cacho, a administração – ou não – de agroquímicos, a definição de uma data para colheita… é o contato direto com a planta, buscando retirar dali o melhor que ela tem a oferecer.

Infelizmente, trabalhar no campo exige paciência quando o assunto é “quebra de safra”. Todo um trabalho pode ser danificado por doenças de plantas, geadas inesperadas, fenômenos como El Niño e La Niña… afinal, quem manda é a mãe natureza! Quando situações inesperadas acontecem, um produtor pode perder boa parte de sua produção, prejudicando consequentemente todo o investimento que foi feito e não trazendo os devidos retornos. É triste, mas é a realidade que assola todo o mundo.

No Brasil, houve quebra de safra da uva de em média 57% no ano de 2016, gerando um prejuízo enorme tanto para produtores quanto para compradores. O preço subiu pela baixa oferta e alta demanda, e o prejú foi bem grande pra todo lado. Em compensação, a safra 2017 se superou em produção, tendo sido considerada uma safra recorde na história da viticultura no Brasil. Vai entender a mother nature, né?

ENÓLOGO

adjetivo e substantivo de dois gêneros

estudioso ou especialista em enologia.

enologo

Eu que não sou boba nem nada já aproveito o título e lhes apresento o atual Presidente da ABE, Edegar Scortegagna, enólogo da Luiz Argenta.

De acordo com a etimologia da palavra, temos ENO, que remete a vinho, e LOGIA/LOGOS, do grego λόγος, um conceito traduzido como razão. Em outras palavras (podemos dizer que “de maneira aplicada”), o enólogo é QUEM FAZ o vinho. Alguém que possui formação e conhecimento técnico para aplicar na indústria.

O enólogo deve conhecer as uvas e suas diferenciações através dos terroirs, entender de práticas de laboratório para análises físico-químicas (que serão associadas à avaliação sensorial), conhecer os processos e instalações de uma vinícola, produzir um vinho com a melhor expressão de determinada uva e, claro, sempre procurar entender e aplicar as novas tecnologias quando o assunto é “transformar uva em vinho”.

Como já comentei anteriormente, no Brasil temos algumas faculdades voltadas para a formação em Enologia, como o Instituto Federal do Rio Grande do Sul, aqui em Bento Gonçalves e a Unipampa, em Dom Pedrito. Claro que nem todo enólogo precisa seguir carreira ou diretamente assinar a produção de uma vinícola. Existem diversos profissionais da área que escolheram seguir, por exemplo, no comércio, realizando feiras e divulgando produtos. Existe também a possibilidade de entrar na área acadêmica, formando novos profissionais, ou no turismo… enfim, cada um segue o coração dentro da profissão.

Olha, fazer vinho é pura química, viu? Mas a gente sabe também que produzir vinhos de excelência é uma verdadeira arte. Para unir a categoria, temos a ABE, Associação Brasileira de Enologia, com sede em Bento Gonçalves. Participam da Associação enólogos já formados, que dividem seu tempo entre o mercado de produção de vinhos e feiras nacionais e internacionais, palestras e cursos acerca do mercado.

SOMMELIER

substantivo masculino

nos restaurantes e afins, profissional especializado em bebidas alcoólicas, esp. vinhos.

sommelier

E na presidência da ABS-RS, com muito orgulho uma mulher: a Andreia Gentilini Milan, diretora da Milan Expert.

A palavra é derivada do francês que, historicamente falando, era o carroceiro do castelo que transportava as pipas de vinho e tinham como segunda função provar os vinhos a serem servidos para o clero, os reis e toda a nobreza para garantir sua qualidade. Um sommelier é hoje então, o profissional responsável dentro de algum estabelecimento por escolher, receber, avaliar, conhecer, harmonizar e explanar aos clientes o produto a ser vendido, sendo um restaurante, um bar, um comércio ou uma importadora de vinhos. Existem diversas possibilidades dentro do ramo.

É uma profissão regulamentada no Brasil desde 2011, quando o trabalho foi reconhecido dentro da economia nacional. Para trabalhar na área, é necessário gostar de atender o público e ter aquela “malemolência”, pra suprir as necessidades de cada cliente. A Associação Brasileira de Sommelier, ABS, oferece cursos profissionalizantes em diversos estados, ministrados por profissionais da área.

A função de um sommelier, além de todo o conhecimento sensorial e atendimento ao cliente, é também sempre se atualizar a respeito das regiões produtoras, buscar conhecer os grandes clássicos da vinicultura e o que se produz em todos os cantos do mundo. Afinal, nunca se sabe o quão enófilo é o próximo cliente, né? Por isso, é uma profissão que definitivamente não pode parar! O sommelier deve estar sempre atento aos novos lançamentos e as novas tendências do mercado, disponibilizando tal conhecimento de maneira esclarecedora ao consumidor.

ENÓFILO

adjetivo substantivo masculino

que ou aquele que gosta de vinho

enofilos

“Essa família é muito unida…” meus queridos colegas de curso, futuros colegas de profissão… atualmente enófilos, em breve enólogos!

Analisando a etimologia da palavra, temos ENO novamente, termo utilizado para se referir a vinhos, e FILO, do grego φίλος (phílos,ē,on) (que gosta; que ama; amigo). Em outras palavras, um Enófilo é “amigo do vinho”, que gosta, que ama vinhos. Alguém que, mesmo sem o conhecimento de termos técnicos e formação acadêmica, aprecia a bebida e busca adquirir mais conhecimento sobre o produto. Um enófilo não pode, por exemplo, assumir a responsabilidade por uma produção de vinhos legalmente ou se considerar sommelier, afinal são profissões regulamentadas e com profissionais capacitados especialmente para o ramo. Porém pode se interessar a fundo pelo assunto e buscar formação acadêmica para seguir carreira na área (seja de enólogo ou sommelier).

Inclusive, todo enólogo e todo sommelier é um enófilo! Afinal, a gente escolheu viver disso, né? ❤

Dentro da cadeia e do mercado, onde se encontra cada um?

Aaaah vocês acham que eu já não coloquei tudo na ordem de mercado né? Pra já deixar tudo anotado sem rasura!

Na primeira etapa dentro do mercado vem o viticultor, responsável por fornecer a uva à industria, que vai processar de acordo com o produto desejado. É a mão de obra que cultiva e fornece a matéria prima para que ela seja transformada.

Na segunda etapa, entra o enólogo. Ele deve transformar a matéria prima recebida no produto exigido pelo consumidor, respeitando as leis e regulamentações a respeito da produção do vinho.

Na terceira etapa, o sommelier entra e é o representante da categoria, já dentro do comércio, por repassar conhecimento e esclarecer dúvidas ao consumidor, para que tomar o vinho seja um momento prazeroso ao degustador.

Por último, é tudo pra nós, enófilos! Que apreciam a bebida e o trabalho de todo esse pessoal que dá um duro danado pra disponibilizar no mercado a bebidinha que baco nos deu. 🙂

Por fim, espero ter esclarecido dúvidas sobre o assunto e ter trazido algumas novidades. É sempre bom falar dos atributos e da importância de cada etapa dessa produção que envolve tanta gente, tantas famílias, tanto trabalho e principalmente muito amor pelo que é feito.

Mas e aí, quem é você dentro do mundo do vinho? 🙂

Beijo grande no ❤

Bea

Vale dos Vinhedos: a beleza dos vinhos e vinhedos de Bento Gonçalves

Há exatos 3 anos e 7 meses me mudei pra esse cantinho maravilhoso do Brasil. Já turistei, guiei, conheci lugares lindos, pessoas com histórias maravilhosas e vinhos incríveis.

Hoje, vou colocar um pouquinho do que tem sido essa experiência de morar num lugar tão bonito, que eu amo tanto as paisagens, os cheiros, o céu, a cultura e cada estação do ano – que curiosamente os moradores comemoram cada chegada de uma nova fase do ciclo.

Vou discorrer um pouco sobre algumas das vinícolas que já visitei, e alguns pontos que algumas oferecem. Caso esteja planejando visitar Bento e conhecer um pouco da região, aqui vão algumas indicações, mas já aviso: a gente começa as 8 da manhã e finalizamos o dia as 17h, pra não perder nada. Vou postar uma sequência hoje e nas próximas semanas sobre “o que fazer quando se visita Bento Gonçalves” e olha… tem coisa pra caramba! Então seguimos, hoje vamos fazer um roteiro do primeiro dia:

Durante a manhã:

Aurora: Vamos começar por dentro da cidade pra facilitar o processo. Uma das maiores vinícolas do país, com três unidades localizadas em Bento, uma no Vale dos Vinhedos, uma no centro e outra a 15 minutos caminhando a partir da entrada da cidade, que é o nosso foco: a matriz – onde é realizado o passeio turístico e a degustação. O passeio é bem bacana, conta a história da vinícola e você passa por dentro da fábrica: desde os tanques de inox até as barricas de carvalho. Acho que é uma das vinícolas que mais visitei em todos esses anos, pela facilidade de acesso. Sinceramente eu perdi a conta de quantas vezes. Tá fazendo nada? Vamo ali na Aurora que eu te levo! hahahahaha. Não tem investimento inicial pra conhecer a vinícola e degustar os produtos, sem contar que tem pra todos os públicos: tem produtos mais baratos, tem produtos mais caros, tem suco de uva, keep cooler, vinho comum, vinho fino, branco, tinto, espumante, artigos em geral pra vinho… vale a pena dar ~aquela~ passadinha. O passeio dura em torno de 1h (sem contar o tempo na loja), então não enrola não que ainda tem que ir pro Vale!

Vallontano: Logo na entrada principal do Vale dos Vinhedos (que fica a uns 5 minutos de carro da entrada da cidade), já encontramos a vinícola Vallontano, com vinhos nobres de produção em pequena escala. Você encontra ali mesmo uma cafeteria/risoteria, um ambiente bem agradável que além de tudo ainda aceita pets! A comida é maravilhosa, super recomendo um investimento. A unica vez que entrei na área de produção foi durante uma visita técnica da faculdade, porque eles não disponibilizam visita turistica dentro da vinícola. A degustação fica na área do restaurante, e custa 20 reais por pessoa.

Valontanno ao fundo

Nós bem lindos subindo pra entrar na Torcello, e ao fundo, a Vallontano. Dá pra ver que é bem pequeninha né? ❤

 

Torcello: Logo em frente, temos a vinícola Torcello. Visitei na minha primeira vez em Bento, e voltei mais algumas, uma delas com a família do meu namorado – que na minha opinião foi a melhor das visitas ali. O guia da vinícola nos contou toda a história da família, conhecemos a pequena cantina e os parreirais. Em seguida, como existe todo o “ritual de iniciação” na degustação de um vinho, ele ensinou com muita paciência o passo a passo de como avaliar o vinho. Degustamos cada um dos vinhos seguindo o passo a passo, foi bem bacana e divertido. O investimento inicial pra conhecer e degustar é de 10 reais por pessoa.

torcello

Final da degustação na Torcello. Familia linda tomando uns bons drink ❤

ALMOÇO: No vale tem bastante opção pra almoçar, mas eu já digo: guardem bastante espaço na pancinha porque olha… só comida boa. Alguns dos restaurantes que indico são o Di Paolo (meu coração pertence a este restaurante), Mamma Gema, Giordani e o Sbornea’s, que trabalham com o serviço de rodízio de comida italiana ou à la carte, e o Vale Rústico que disponibiliza o serviço de menu degustação, que pode ser servido também harmonizado. Eu sou bem sincera, e acho que uma olhadinha no TripAdvisor antes de escolher restaurante é sempre uma boa. Cada um tem um gosto, então fica difícil decidir…

Durante a tarde:

Hotel e SPA do Vinho: Vale a pena conhecer um hotel 5 estrelas né? Nem que seja pra passar pela porta, hahahahaah. É um lugar lindo, você pode conhecer os serviços do SPA e tirar fotos maravilhosas da vista. As diárias são bem salgadinhas, mas eu garanto que quem dorme ali tem sono dos deuses… porque olha, né brincadeira não! Os recepcionistas são bem simpáticos, sempre me receberam super bem nas quantas vezes que fui “dar uma olhadinha”, hehehe. Eles tem diversas programações, como um Baile Imperial (que acontece uma vez por ano), realizam eventos como casamentos, um “por-do-sol” harmonizado (vinhos que acompanham o descer do sol), atividades no spa… e não precisa estar hospedado! Um hotel cinco estrelas é um hotel cinco estrelas né queridos? Hhahahahah

spa visto da miolo

Visita técnica que fiz com alguns colegas de curso, estávamos no alto da torre da Miolo, e a vista pro SPA é maravilhosamente incrível!

Miolo Wine Group: Fica beeem em frente ao hotel (sério, só atravessar a estrada) e PENSE num lugar bonito? Os guias levam os grupos por toda a vinícola, e explicam como acontece o processo de vinificação de uma maneira bem tranquila de entender, pra ninguém ficar de fora. Logo depois da visita (que dura uns 50 minutos) acontece a degustação guiada, onde você pode degustar alguns dos produtos disponíveis com o auxílio do guia que ensina tudo passo a passo e analisa o vinho junto com todo mundo. O valor de investimento é 30 reais por pessoa.

miolo

Só de olhar já dá pra saber que foi tirada no inverno né? ❤

miolo vista do spa

Miolo vista do SPA. Diz se não é colírio pros olhos?

Famíglia Tasca: pensem numa casinha antiga, com uma vista linda pro vale, com um museu cheio de história pra contar? Pra quem gosta de ficar admirando antiguidades, esse é o lugar! É realmente cheio de tudo que tu imaginar: desde utensilios de uso pessoal como escova de cabelo e porta-jóias, livros e fotos, até itens de uso na roça antigamente. Tem pasta com folhas de revistas e jornais antigos, tem uma cama de “colchão de palha”, tem até bercinho! Uma verdadeira viagem aos tempos de imigração italiana. E claro, eles vendem suco e geléia de uva! Quando fui tinha de physalis também. Não vou me recordar o valor, mas não são caros não viu? É produção própria da família. Sem contar que a senhorinha que nos recepcionou é uma “simpatiqueza” em pessoa!

Famiglia Tasca.jpg
Eu e a senhorinha da simpatiqueza, laáaaáá em 2014, minha primeira visita ao vale dos vinhedos na vida! Vim fazer a matricula na faculdade sem nunca ter pisado em bento, hehe

Pizzato Vinhas e Vinhos: Final de tarde… última vinicola. Até hoje falar da Pizzato me pega pelo coração por ter sido a primeira vinicola que visitei na vida, e pelo atendimento ter sido EXCEPCIONAL. Degustei praticamente todos os produtos, lembro ate hoje que quem me atendeu foi a Carol Chieli e o Alfredo Biagini. Falei que ia começar o curso e foi super bacana a forma como eles foram bem atenciosos e queridos. Voltei outras e outras vezes, fui atendida pela Cris Franzen (que já me recebeu diversas vezes hehe) e nunca me decepcionei. Os produtos eu não tenho nem o que falar né? Sempre indico aqui. O investimento é de 20 reais e olha: vale cada centavo.

vinhedo pizzato
Olha a familia do mozão ai de novo.. ❤ Dá pra descer nas parreiras sim! Eu sempre gostei desde criança de guardar folhas dos lugares que visito.
pizzato

Eu e minha irmã, também na minha primeira vez no vale, plena vindima, um calorão e nós fazendo visita e bebendo wines! Hahahaha

Jantar: Bom, eu não nego uma pizza nem morta né? Falou pizza eu to “oi? que? vamo?” ahahhaha. Então se você tá em bento e já almoçou comida italiana, vamos continuar na Itália, né? Já dentro da cidade, mais precisamente no bairro Planalto, temos várias opções. As duas pizzarias que eu mais frequento (ou pelo menos tento sem morrer com o colesterol lá em cima) são a Sapore di Fiorenza e a Sapore Sublime. Preços super acessíveis, e daquele jeito que a gente gosta: rodízio né meus queridos!? Pra sair rolando… mas fica tranquilo que eles dão chazinho de boldo como cortesia no final, se você pedir. Só pra não chegar depois no hotel parecendo um boi! Hahahahah

Enfim, acho que deu pra visitar bem hoje né? O segundo dia eu deixo pra semana que vem pra gente não se alongar e a cidade perder a graça. Mas já adianto: tem mais vinícolas no vale, tem os Caminhos de Pedra, tem a rota de espumantes de Garibaldi, tem a Tramontina em Carlos Barbosa (as donas de casa piram), tem o Salto Ventoso em Farroupilha… é muito lugar lindo pra visitar, e tudo pertinho, de verdade! Além de claro, as festas e eventos que acontecem durante todas as estações do ano… cada etapa do ano tem diversas harmonizações e eventos que categorizam a época do ano. Tem Bento em Vindima que acontece no verão (durante a safra da uva), Bento em páscoa CHEIO de coelho gigante pelo centro da cidade, Settimana Italiana di Bento que acontece em maio pra celebrar a chegada dos italianos ao RS, Bento Sensação pra aproveitar cada detalhe do outono e do inverno, Estação Primavera em Bento pra comemorar o fim dos dias frios e a chegada das cores, e o Natal Bento, celebrando com muita luz, enfeite e evento o final de um ano e a chegada do próximo! Estamos agora entrando na Estação Primavera, e eu já to bem doida pra ir pros eventos no centro da cidade, cheios de música e dança, pra comemorar o fim do frio, a chegada das flores e do calor. É ou não é uma tradição linda? ❤

Temos também diversos eventos durante o ano como o Bike Festival, o Bento Bier Festival, nessa próxima semana teremos o Despertar no Vale, temos a Wine Run, a comemoração ao dia do vinho… é coisa demais pra fazer nessa cidade bem linda!

Enfim, hoje eu fico por aqui e semana que vem a gente faz o nosso segundo dia de passeio turístico, conhecendo cada pedacinho da cidade do vinho no Brasil. É uma cidade pequena, mas cheia de história e lugares maravilhosos. Vale a pena cada segundo aqui! Espero que vocês tenham gostado, porque pra mim foi ótimo relembrar cada lugar que já visitei na cidade.

Beijo no core,

Bea ❤

Quatro pratos harmonizados que você precisa testar!

Senta aqui comigo que hoje o assunto é o meu preferido: comida boa. E engloba AQUELE tema que todo mundo gosta: harmonização!

Várias vezes já me decepcionei procurando receitas novas e acessíveis de harmonização, porque só encontrei preços além do que eu poderia investir. Por isso, hoje vou tentar encaixar pratos que não vão doer tanto assim no bolso, e ao mesmo tempo receitas novas que, provavelmente, você ainda não fez em casa. Aqui tem pra todos os gostos e públicos! 🙂

Pra quem não me conhece pessoalmente, eu AMO cozinhar. Se tem um lugar da minha casa que eu dedico meu tempo, esse lugar é a cozinha! Não tenho patrocínio nem parceria (chora não coleguinha) mas sempre acompanho uns canais bem bacanas no YouTube… vou disponibilizar, junto com a dica do prato, o nome do vídeo com link direto pro canal que encontrei o passo a passo. Depois disso, deixo minha dica de harmonização. Fico feliz em compartilhar dois dos canais que eu acompanho, e sinta-se a vontade pra vasculhar outros vídeos e aprender novas receitas!

Então vamos lá:

Dica 1: Fettucine ao molho de frango, por Isadora Becker, do canal Gastronomismo.

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ADORO o jeitinho da Isadora, e esse sotaque de Porto Alegre então? ❤ E essa é uma receita super fácil de achar os ingredientes, tranquila e baratinha de fazer. Massa Fettucine, peito de frango e alho poró na base do molho (com creme de leite opcional). Com menos de 20 reais no mercado temos todos os ingredientes! Ela sugere a adição de 1/2 xícara de vinho branco pra deglacear o fundinho da panela, e aconselhou: usar vinho seco, o mesmo que será servido junto à refeição.

Minha dica de harmonização:SAUVIGNON COLHEITA NOTURNA

Como poupamos na receita, vamos investir no vinho.. já devo ter falado dele umas mil vezes aqui no blog, mas falo de novo se precisar: indico o Sauvignon Blanc Colheita Noturna da vinícola Miolo, safra 2017. Recentemente degustei e venho indicando desde então, porque coisa boa a gente compartilha, né? Em média, o valor é de R$50,00, varia de acordo com o lugar do país que você ta comprando. Achei muito agradável, com aroma inicial bem presente de broto de tomate (saudades quando eu plantava tomatinhos) e quando este foi sumindo, pêra madura. Super leve, primaveril e gostoso. Pra quem se interessar, eles realizam vendas pelo site da vinícola.

Dica 2: Boeuf Bourguignon, por Uiara Araújo, do canal Le Plat du Jour.

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Desde que vi o primeiro vídeo da Uiara, “paxonei” na fofura da moça. Ela também cozinha pro Tastemade, e o canal dela foca na culinária francesa. Sobre a receita, é um clássico que faz parte da história da França, em específico da Borgonha – referência mundial quando o assunto é vinho. O ingrediente mais complicadinho pra encontrar no Brasil é o champignon fresco… no mais, vai músculo ou paleta, bacon, cenouras, cebola, tempero verde… Incluindo vinho tinto pro molho. Agora não dá pra reclamar que nunca cozinhou com vinho!

Minha dica de harmonização:IDENTIDADE MARSELAN VALDUGAORIGEM

Como serão necessárias duas garrafas (uma pra cozinhar e uma pra beber), já estamos cientes que pra essa receita o investimento é dobrado, né? Então tem que salvar uma graninha… É um prato pra dias mais frios, que exigem um vinho com carga tânica que supra esse contexto. Podemos encaixar aqui o Origem Cabernet Sauvignon da Casa Valduga, disponível no mercado por R$40,00. É bem agradável pra dias mais frios, me lembrou cereja, ameixa passa e cassis. Pra quem tiver disposto a gastar mais um pouco, o Identidade Marselan, também da Valduga, vale a pena!

Dica 3: Ratatouille, por Isadora Becker, do canal Gastronomismo.

(CLIQUE AQUI)

Esse vídeo da Isadora fica na categoria Comida de Filme, não preciso nem dizer o motivo, né? A gente tem dica vegetariana aqui sim, gente! É um prato de ingredientes simples, mas montagem complicada. A base tem berinjela, abobrinha, tomate e pimentão. Bem tranquilo né? Se sentar na mesa com uma boa companhia cheia de assunto, o tempo passa e a forma tá montada!

Minha dica de harmonização:PINOT SANTA RITAMERLOT SANTA RITA

Eu considero esse prato bem versátil… Pode encaixar com um Merlot rosé (R$48,00) ou um Pinot Noir (R$53,00) da Vinícola Fazenda Santa Rita, ali de Vacaria – RS. Quando degustei, o Merlot lembrava morangos frescos e maçã, delicado, mas com uma cor super viva (que combinava com o rótulo rosa Barbie que eu AMEY né). O Pinot tinha a sinceridade da fruta sem excessos de carvalho, a cor era um vermelho cereja brilhante e translúcido, convidativo e super leve.

Dica 4: Pain Perdu, por Uiara Araújo, do canal Le Plat du Jour.

(CLIQUE AQUI)

Parece difícil, mas é só rabanada minha gente! Um docinho pra quebrar a nossa sequência de pratos. Nessa receita, a Uiara fez pain perdu (que você conhece como rabanada) de um jeitinho bem fofo, em porções individuais. O de frutas vermelhas dá pra substituir por frutas cítricas, como kiwi e morango, ou frutas em calda como figo, pêssego e abacaxi. Tudo dá-se um jeito, né?

Minha dica de harmonização:

Essa porção individual servida com frutas vermelhas ficaria super bem com um espumante moscatel rosé.. tem opção pra todo gosto! Tem Aurora, tem Don Guerino, tem Perini… 40 e 50 reais. Pra quem quer investir um pouco mais, conhecer produtos novos, um Chandon Passion agrada todo mundo.

AURORA MOSCATEL ROSEdon guerinocasa perini moscatelCHandon passion

Bom, quatro receitinhas passo a passo, com dica de harmonização e valores dos vinhos… Foi fácil não, viu?

Mas pra facilitar sua situação caso seu prato principal não esteja aqui listado, lembre sempre: bebida não deve sobrepor comida e nem comida deve sobrepor bebida. O equilíbrio é a chave pro sucesso. Comidas leves pedem vinhos leves, comidas gordurosas e mais “pesadas” pedem vinhos mais encorpados que casem com toda a untuosidade daquele prato.

Uma vez eu ouvi: dois homens foram comprar um carro. Um deles era fazendeiro, do interior de Minas Gerais. Ia passar todos os finais de semana na fazenda e precisava de um automóvel que suportasse essa rotina. Outro, de São Paulo capital, pegava mais de 2h de trânsito todos os dias na ida e na volta pro escritório. Aos finais de semana andava de bicicleta, usava o carro apenas nesse trajeto demorado e cansativo. Então, fica a questão: Uma F250 da Ford serviria pra qual deles? Um Up da Volkswagen seria útil pra qual deles? Seria incômodo aos dois se os carros fossem trocados… Mas se cada um escolhe o carro correto, ambos saem com vantagens. Certo? Obs: Obrigada querido amigo que me contou essa historinha… agora eu conto pra todo mundo!

Assim é o vinho. Carnes gordas e de caça, molhos condimentados e queijos gordurosos combinam com vinhos mais potentes, tânicos e encorpados como um Tannat, um Syrah ou Cabernet Sauvignon. Carnes magras e peixes grelhados, molhos, risotos e massas mais leves, podem ser acompanhados por um vinho tinto com sutileza – um Pinot Noir, Gamay, Pinotage – ou um branco mais estruturado – como um Chardonnay que tenha passado por barricas e aceite bem a passagem do tempo. Aves, peixes crus, e queijos frescos acompanham vinhos mais leves, refrescantes, com acidez mais elevada e que podem ser servidos mais gelados – como um Riesling ou um Sauvignon Blanc.

Agora que já deixei todo mundo morrendo de fome, doido pra chegar em casa fazendo uma massa, um boeuf, um ratatouille ou uma rabanada, me despeço por aqui e espero que tenham gostado, porque eu amei falar sobre comidinha boa aqui com vocês! Qualquer dúvida já sabe, chama aqui que a gente responde.

Semana que vem estamos de volta.. perde não, viu? Toda quarta!

Beijo no 💗

Bea

De onde surgem os aromas do vinho? Qual a temperatura ideal pra servir?

Hola amigos! Minhas férias acabam essa semana, volto pra rotina… triste, mas voltar pra vida real é necessário…

Aproveitando o calor (vulgo abraçando o capeta) que tá fazendo aqui em Goiânia e o frio de renguear cusco que bateu em Bento Gonçalves, hoje falo um pouquinho sobre os aromas presentes em cada vinho e a temperatura ideal pra se tomar, explicando o real motivo dessa “exigência”. Lembrando sempre que, claro, não vai ser muito agradável tomar um espumante refrescante numa noite gelada do sul e um tinto encorpado de meio dia no calor do Goiás, né? Tudo tem sua ocasião.

Quando comecei, eu tinha aquela pulguinha atrás da orelha: de onde vem os ~aromas~ do vinho? São essências adicionadas? É natural? Calma que hoje a gente define tudo isso aí! Então vamos ao ponto, afinal o que importa é o que interessa:

De onde vem os aromas dos vinhos?

No último post falei sobre os assemblages e sobre as características sensoriais olfativas de cada vinho em específico. Como que tem gente que sente morango, ameixa, baunilha, se o vinho é de uva?

RODA DE AROMAS.png

Essa roda de aromas é bem coringa, dá pra ter como base alguns dos aromas pra “memorizar e procurar na taça”.

Dentro das categorias aromáticas, temos os aromas primários, secundários e terciários. Os aromas primários são advindos da uva em si, as características herdadas da variedade escolhida. Os aromas secundários são adquiridos durante a fermentação, processo em que mais são formados compostos aromáticos. Os aromas terciários são formados no processo de guarda e envelhecimento do vinho, geralmente associados à passagem por barricas de carvalho, estágio em tanques ou, no caso de espumantes de método tradicional, tempo em garrafa. De maneira geral, o que caracteriza a bebida e a torna AQUELE VINHO é a soma dos aromas secundários e terciários. Em outras palavras: a complexidade aromática do bouquet.

Todos esses compostos são originados de acordo com a levedura utilizada, a temperatura de fermentação e armazenamento, o método utilizado no esmagamento da baga, no tempo de contato entre líquido e casca… são diversos fatores a serem alterados pra que se chegue a um aroma final. Todos esses compostos, claro, estão presentes em concentrações e intensidades variadas, dando a cada vinho um perfil aromático diferente. Literalmente, são aromas intrínsecos ao vinho que o tornam genuíno e particular. Cada uva é uma uva, cada colheita é uma colheita, cada processo de vinificação é um processo de vinificação… Haja personalidade!

como-sentimos-aromas-vinho

Maneira bem explicadinha do corpo em associar os aromas. Ou como dizem: a biblioteca olfativa, aquela linda!

Alguns nomes químicos nos ensinam a respeito de cada aroma encontrado nos vinhos, como os acetaldeídos, que liberam aroma de baunilha, maçã, amêndoas e especiarias; os ésteres que são responsáveis em sua maioria pelos aromas frutados; as cetonas que trazem aromas amanteigados e lácteos; os terpenos, donos dos aromas florais; por último e não menos importante, as pirazinas, que produzem aromas terrosos e herbáceos. Existem diversas ramificações, mas não vamos complicar demais… um passo de cada vez!

Com o passar do tempo naturalmente ocorre uma interação molecular, gerando um desenvolvimento desses aromas inicialmente encontrados. A interação entre os ácidos, os açúcares, os compostos fenólicos e álcoois resulta na complexidade aromática final do seu vinho.

Resumindo a ópera: os aromas que encontramos nos vinhos realmente são gerados pelos compostos químicos presentes na uva, que coexistem também em outras partes da natureza!

Se o vinho exala pimentão verde – geralmente classificado como um defeito – essa característica veio junto com a uva, ou seja, um aroma primário. Se está presente em quantidades excessivas, lembra o pimentão. Se em quantidades mais leves, lembra pimenta preta, broto de tomate, grama cortada… Se sentiu aroma de baunilha, nada mais é do que a vanilina (uma variação dos aldeídos que remete a baunilha) se manifestando após ser gerada em alguma etapa da vinificação, possivelmente no estágio em contato com carvalho. Nada de adições, apenas química! Hehehehe.

Entendendo então a interação dessas cadeias químicas, justificamos então essa “necessidade” da temperatura ideal. Os compostos do vinho dependem de determinadas temperaturas para serem agradáveis ao paladar e sensíveis ao olfato. Chamamos de “compostos voláteis” os aromas liberados quando agitamos a taça.

Se a temperatura de serviço é muito alta, exalta a acidez em boca (como um suco de limão quente). Da mesma maneira, o álcool também se torna mais agressivo, tanto em nariz quanto em boca, mascarando todo o conjunto. Se a temperatura estiver muito baixa, são inibidos todos os aromas, sabores, a acidez e o álcool, tornando mais evidente a adstringência.

Se o vinho está numa temperatura inferior a que é desejada para que estes compostos sejam liberados, acaba sendo desagradável numa situação de degustação e avaliação. Porém se o objetivo é descontrair, beber pra aproveitar o momento, curtir a companhia e se divertir sem ter como objetivo avaliar, não tem problema algum tomar um vinho tinto mais geladinho, viu? Eu julgo nesses casos como uma questão de gosto pessoal.

temperatura vinhos.jpg

Temperatura ideal de vinhos de maneira bem tranquila de entender… agora não tem erro, né?

“Ah Bea, então como eu faço pra começar a sentir esses aromas que todo mundo sente?”

Eu não tenho outra resposta além de TREINO. Não precisa ter vergonha não! Chega no mercado e pode sair cheirando tudo! Hahahahahah. Quando comer, feche os olhos e memorize o sabor e o cheiro do morango, da ameixa seca, da banana, da maça, do abacaxi, das frutas tropicas… não se acanhe, viu? A sua biblioteca olfativa agradece. Depois disso, compre o vinho do seu gosto, coloca dois dedinhos numa taça, agita ela levemente (apoiar na mesa e fazer movimentos circulares ajuda a não derrubar) e, de olhos fechados, tente sentir o que tem ali. As vezes é preciso ficar tentando e tentando… e eu te garanto: o dia que você sentir, os seus olhos vão brilhar.

Eu demorei dois anos na faculdade pra encontrar algo diferente (além de álcool, em outras palavras), e meu primeiro aroma foi de doce de banana! Sabe aquela sobremesa improvisada com banana madura, canela e açúcar no microondas? Eu comia horrores quando era criança, e foi o primeiro aroma que senti. Foi uma emoção enorme, de verdade. Depois disso nunca mais tive dificuldades… cheirei tanta coisa no mercado, e no final o que senti primeiro foi um cheiro da infância! É realmente uma delícia, inexplicável.

kit aromas

Um kit de aromas em essência super bacana… pra quem encontrar, acho um baita investimento!

Outra dica é comprar dois vinhos varietais diferentes (um Merlot e um Cabernet Sauvignon por exemplo), servir os dois em taças diferentes e tentar achar características que diferem um do outro. Por mais que num primeiro momento você não saiba dizer exatamente o que está sentindo, de alguma maneira vai sentir uma diferença ali, e com o tempo já tá sabendo dizer a variedade sem nem ter olhado o rótulo… parece mágico, mas é tudo prática.

Enfim, por hoje eu fico por aqui e espero ter ajudado vocês a entender e sentir os aromas dos vinhos um pouco melhor… ficou um pouco longo o post, mas acho que valeu a pena, né?? Mas de verdade, de todo meu coração, confia em mim: a primeira vez a gente nunca esquece! Todo o tempo de treino cheirando frutas no mercado são recompensados, juro! hahahahahah

Como sempre, qualquer dúvida, estamos sempre aqui!

Beijo no core,

Bea ❤

Varietal ou Assemblage?

Oi pessoal! Turubom?

Hoje eu tô aqui pra falar com vocês sobre um assunto bem bacana que precisa ser conversado com o consumidor e bem esclarecido:

Varietal x Assemblage

Por definição, o vinho varietal é aquele que contém, de acordo com a legislação brasileira, um valor mínimo de 75% de uma única variedade de uva dentro da garrafa. Basicamente, os outros 25% não serão influentes o suficiente no aroma ou no sabor pra modificar o produto final num todo. Portanto, vinho varietal é aquele onde você sente a expressão própria da uva que você deseja degustar. Encontramos facilmente no mercado vinhos varietais Chardonnay, Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, entre outras variedades. Existem casos particulares, como a uva Merlot, que só pode ser considerada varietal se caracterizar 75% do produto, e os outros 25% devem associar apenas as cultivares Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc ou Tannat.

O vinho assemblage é definido por um corte/mistura/junção entre dois ou mais vinhos que foram fermentados separadamente. Por conta desse processo, sentimos a expressão única da junção das duas cepas, de acordo com o equilíbrio escolhido pelo enólogo pra que aquele assemblage pudesse ser definido e comercializado. Para se decidir o corte, são organizadas degustações, onde em cada uma das taças existe um percentual diferente dos vinhos que serão cortados. O blend escolhido é o que expressa da forma ideal as melhores características sensoriais de cada variedade, levando em consideração também aqueles quatro pilares que já colocamos aqui no blog: a acidez, o teor alcoólico, a intensidade de cor e a intensidade de adstringência. Vale ressaltar que, caso especifiquem no rótulo as variedades, elas serão dispostas em ordem decrescente: primeiro a que está em maior percentual, por último em menor.

PIZZATO assemblages

Assemblages da vinícola Pizzato, Concentus e Verve. Os dois vinhos contém as mesmas cepas, porém em percentuais diferentes.

AURORA PP

Varietais da vinícola Aurora, da linha Pequenas Partilhas

Infelizmente, existe um mito muito difundido de que vinhos assemblage não são de qualidade. Estamos aqui, e te dizemos com muito orgulho: existe muito trabalho por trás da definição do corte de um vinho!

Fica a questão, por que os enólogos decidem fazer uma assemblage e não vender o vinho varietal sempre?

Temos as variedades de uvas vinificadas e cada uma delas carrega consigo determinadas características particulares advindas da fermentação. Vamos considerar três situações:

Vinho 1: Aroma intenso e agradável de especiarias, sabor lembrando frutas vermelhas frescas porém com baixa acidez, corpo leve e coloração pouco intensa. Infelizmente o teor alcoólico está abaixo do desejado.

Vinho 2: Aromas herbáceos, sabor agradável que lembra pimenta preta e tabaco, com acidez agradável, corpo mediano e coloração mediana. O teor alcoólico está dentro da legislação e próximo ao limite, com 13,5%. 

Vinho 3: Aromas mais vazios de couro e mirtilo, sabor lembrando frutas maduras e compotas, com acidez elevada, corpo bem estruturado – porém em desequilíbrio no conjunto –  e coloração potente. O teor alcoólico está dentro da legislação, com 11,5%. Levemente duro e rústico pra ser consumido varietal.

Serão feitos cálculos que avaliem primeiramente o teor alcoólico, para que o álcool do vinho 2 seja suficiente e complete o percentual do vinho 1. Encaixando o aroma desejado do vinho 1, diminuímos os herbáceos do vinho 2 e amaciamos o couro do 3. A acidez elevada do 3 vai se encaixar com a baixa acidez do 1, estruturando-o e levando também carga de cor e adstringência. Os sabores vão se completar, dando complexidade ao vinho final e trazendo compota, tabaco e frutas vermelhas, com um toque de especiarias. Temos três vinhos com características pontuais positivas que, juntos, se transformam em um vinho com aroma, sabor, coloração e equilíbrio incríveis.

wine tasting.jpg

Em uma definição de corte, são testados diversos vinhos pelo avaliador, que deve definir qual taça uniu melhor as características desejadas. Essa é uma mesa bem simples com apenas 6 vinhos, quase nada quando o desafio são 60 tanques pra corte! 😛

Pra quem achava que era fácil juntar qualquer vinho e formar um assemblage… na prática é uma bela arte conseguir chegar a um vinho perfeitamente equilibrado. Meus sinceros parabéns pra essa galera que representa muito bem a vitivinicultura brasileira!

Em específico, uma vinícola muito conhecida que trabalha (e muito bem) com cortes, é a Chandon do Brasil. Localizada em Garibaldi, um terroir maravilhoso pra espumantes, os enólogos tem todos os anos o trabalho de elaborar para lançamento um produto idêntico ao lançado no ano anterior. Entram em jogo diversos vinhos para o blend ideal do próximo lote de produtos que serão dispostos ao mercado. Felizmente existe um controle muito rígido dos produtos que estão armazenados na vinícola, para que nenhuma intempérie afete o resultado final.

chandonn

Que o Senhor abençoe e multiplique nosso Chandon de cada dia!

Falando em Brasil, em consumidor, em mercado… é uma tendência muito comum no mercado nacional, assim como em todo o Novo Mundo (Chile, EUA, Argentina…), o consumo de vinhos varietais, sem que sejam considerados antes o terroir ou quem o produziu. O consumidor procura a variedade específica e, quando compra, se atém às cepas, e não à vinícola ou o terroir em que a uva foi cultivada. Por sermos nações de cultivo recente e com consumidores em ascensão conhecendo o produto, é natural procurarmos conhecer primeiro a uva em sua particularidade e depois partir para a associação de características. No Velho Mundo, é uma tendência o consumo de assemblages e os consumidores buscam por terroirs e produtores. São países de tradição e história com o vinho, então já se passaram muitos anos pra que essa prática se tornasse comum.

Então, por hoje é isso aí…. tentei ser o mais detalhista pra que não ficassem dúvidas a respeito das características sensoriais próprias de cada uma e como isso influencia na decisão de um corte. O vinho final deve ficar sempre o mais próximo do equilíbrio, o mais “redondo” possível: com a acidez agradável, a coloração viva, a adstringência macia, o álcool não-agressivo, aromas sinceros e sabores memoráveis.

Espero que tenham gostado, e semana que vem falamos sobre a correta refrigeração de cada vinho e como surgem esses aromas que todo mundo fala mas ninguém conta de onde vem, heheheh. Qualquer dúvida, estamos sempre aqui!

Beijo no ❤

Bea