Varietal ou Assemblage?

Oi pessoal! Turubom?

Hoje eu tô aqui pra falar com vocês sobre um assunto bem bacana que precisa ser conversado com o consumidor e bem esclarecido:

Varietal x Assemblage

Por definição, o vinho varietal é aquele que contém, de acordo com a legislação brasileira, um valor mínimo de 75% de uma única variedade de uva dentro da garrafa. Basicamente, os outros 25% não serão influentes o suficiente no aroma ou no sabor pra modificar o produto final num todo. Portanto, vinho varietal é aquele onde você sente a expressão própria da uva que você deseja degustar. Encontramos facilmente no mercado vinhos varietais Chardonnay, Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, entre outras variedades. Existem casos particulares, como a uva Merlot, que só pode ser considerada varietal se caracterizar 75% do produto, e os outros 25% devem associar apenas as cultivares Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc ou Tannat.

O vinho assemblage é definido por um corte/mistura/junção entre dois ou mais vinhos que foram fermentados separadamente. Por conta desse processo, sentimos a expressão única da junção das duas cepas, de acordo com o equilíbrio escolhido pelo enólogo pra que aquele assemblage pudesse ser definido e comercializado. Para se decidir o corte, são organizadas degustações, onde em cada uma das taças existe um percentual diferente dos vinhos que serão cortados. O blend escolhido é o que expressa da forma ideal as melhores características sensoriais de cada variedade, levando em consideração também aqueles quatro pilares que já colocamos aqui no blog: a acidez, o teor alcoólico, a intensidade de cor e a intensidade de adstringência. Vale ressaltar que, caso especifiquem no rótulo as variedades, elas serão dispostas em ordem decrescente: primeiro a que está em maior percentual, por último em menor.

PIZZATO assemblages

Assemblages da vinícola Pizzato, Concentus e Verve. Os dois vinhos contém as mesmas cepas, porém em percentuais diferentes.

AURORA PP

Varietais da vinícola Aurora, da linha Pequenas Partilhas

Infelizmente, existe um mito muito difundido de que vinhos assemblage não são de qualidade. Estamos aqui, e te dizemos com muito orgulho: existe muito trabalho por trás da definição do corte de um vinho!

Fica a questão, por que os enólogos decidem fazer uma assemblage e não vender o vinho varietal sempre?

Temos as variedades de uvas vinificadas e cada uma delas carrega consigo determinadas características particulares advindas da fermentação. Vamos considerar três situações:

Vinho 1: Aroma intenso e agradável de especiarias, sabor lembrando frutas vermelhas frescas porém com baixa acidez, corpo leve e coloração pouco intensa. Infelizmente o teor alcoólico está abaixo do desejado.

Vinho 2: Aromas herbáceos, sabor agradável que lembra pimenta preta e tabaco, com acidez agradável, corpo mediano e coloração mediana. O teor alcoólico está dentro da legislação e próximo ao limite, com 13,5%. 

Vinho 3: Aromas mais vazios de couro e mirtilo, sabor lembrando frutas maduras e compotas, com acidez elevada, corpo bem estruturado – porém em desequilíbrio no conjunto –  e coloração potente. O teor alcoólico está dentro da legislação, com 11,5%. Levemente duro e rústico pra ser consumido varietal.

Serão feitos cálculos que avaliem primeiramente o teor alcoólico, para que o álcool do vinho 2 seja suficiente e complete o percentual do vinho 1. Encaixando o aroma desejado do vinho 1, diminuímos os herbáceos do vinho 2 e amaciamos o couro do 3. A acidez elevada do 3 vai se encaixar com a baixa acidez do 1, estruturando-o e levando também carga de cor e adstringência. Os sabores vão se completar, dando complexidade ao vinho final e trazendo compota, tabaco e frutas vermelhas, com um toque de especiarias. Temos três vinhos com características pontuais positivas que, juntos, se transformam em um vinho com aroma, sabor, coloração e equilíbrio incríveis.

wine tasting.jpg

Em uma definição de corte, são testados diversos vinhos pelo avaliador, que deve definir qual taça uniu melhor as características desejadas. Essa é uma mesa bem simples com apenas 6 vinhos, quase nada quando o desafio são 60 tanques pra corte! 😛

Pra quem achava que era fácil juntar qualquer vinho e formar um assemblage… na prática é uma bela arte conseguir chegar a um vinho perfeitamente equilibrado. Meus sinceros parabéns pra essa galera que representa muito bem a vitivinicultura brasileira!

Em específico, uma vinícola muito conhecida que trabalha (e muito bem) com cortes, é a Chandon do Brasil. Localizada em Garibaldi, um terroir maravilhoso pra espumantes, os enólogos tem todos os anos o trabalho de elaborar para lançamento um produto idêntico ao lançado no ano anterior. Entram em jogo diversos vinhos para o blend ideal do próximo lote de produtos que serão dispostos ao mercado. Felizmente existe um controle muito rígido dos produtos que estão armazenados na vinícola, para que nenhuma intempérie afete o resultado final.

chandonn

Que o Senhor abençoe e multiplique nosso Chandon de cada dia!

Falando em Brasil, em consumidor, em mercado… é uma tendência muito comum no mercado nacional, assim como em todo o Novo Mundo (Chile, EUA, Argentina…), o consumo de vinhos varietais, sem que sejam considerados antes o terroir ou quem o produziu. O consumidor procura a variedade específica e, quando compra, se atém às cepas, e não à vinícola ou o terroir em que a uva foi cultivada. Por sermos nações de cultivo recente e com consumidores em ascensão conhecendo o produto, é natural procurarmos conhecer primeiro a uva em sua particularidade e depois partir para a associação de características. No Velho Mundo, é uma tendência o consumo de assemblages e os consumidores buscam por terroirs e produtores. São países de tradição e história com o vinho, então já se passaram muitos anos pra que essa prática se tornasse comum.

Então, por hoje é isso aí…. tentei ser o mais detalhista pra que não ficassem dúvidas a respeito das características sensoriais próprias de cada uma e como isso influencia na decisão de um corte. O vinho final deve ficar sempre o mais próximo do equilíbrio, o mais “redondo” possível: com a acidez agradável, a coloração viva, a adstringência macia, o álcool não-agressivo, aromas sinceros e sabores memoráveis.

Espero que tenham gostado, e semana que vem falamos sobre a correta refrigeração de cada vinho e como surgem esses aromas que todo mundo fala mas ninguém conta de onde vem, heheheh. Qualquer dúvida, estamos sempre aqui!

Beijo no ❤

Bea

 

 

Não tem nada errado com seu vinho de rosca + BÔNUS HARMONIZAÇÃO

Ooooooopa! Como estamos?

Agora que a gente conversou sobre os tipos de uvas e o potencial de guarda de cada vinho, agora posso explicar o porquê de alguns vinhos serem vendidos com tampa rosca, a SCREW CAP. Logo em seguida, vou deixar aqui uma dica que vi no site Destemperados, uma galera tri massa do RS que reúne quem adora comer e beber bem! Consumidores conscientes compartilhando idéias e conhecimento, super bacana, recomendo a todos!

Indo direto ao assunto, quantos de nós não ficamos com aquele pezinho atrás na hora de comprar e ver que a vedação é rosca e não rolha? Infelizmente acontece… mas como eu sempre digo, a gente ta aqui pra descomplicar e ensinar! Conta pro namorado, pros pais, pros colegas: não tem nada de errado em comprar vinho de rosca!

Como eu fiquei de contar post passado, existem processos a serem cumpridos para que a uva se torne vinho, certo? Cada um desses processos, em suas particularidades, incorporam ou não oxigênio. Já comentei, mas sempre bom ressaltar: o que é a redução? É quando seu vinho fica sem contato com o ar e pode produzir aquele cheirinho de ovo, couve ou repolho cozidos… A garrafa vedada é um ambiente que não incorpora oxigênio, certo? Por isso muitas vezes precisamos abrir e oxigenar nosso vinho antes de tomar.

Vamos lá atrás, quando o homem descobriu que uva fermentada era bom… faz tempo, né? Então. Comparemos então as tecnologias aplicadas àquela época e hoje. Evoluímos, estudamos, aplicamos, melhoramos… Hoje a nossa indústria pode avaliar com pesquisas cheias de tecnologia a influência da rolha em vinhos e a quantidade de ar incorporado por ela enquanto a garrafa não foi aberta.

Gamay Miolo c/ screw cap

Gamay Vinícola Miolo

De acordo com um estudo realizado pela Faculté d’Oenologie de Bordeaux (Faculdade de Enologia de Bordeaux pros íntimos), o ar incorporado pela rolha NÃO É SUFICIENTE pra deixar a garrafa oxigenada… o que entra pelos poros da rolha tem efeitos irrisórios quando avaliamos a quantidade de ar que o vinho precisa. Então, a influência da rolha é mínima quando comparada à screw cap. Em outras palavras: muda nada, coleguinha.

Uma das maravilhas do screw cap é também evitar o que chamamos de vinho bouchonné. Do francês, bouchon significa rolha, e bouchonné significa “vinho rolhado”, com cheiro de rolha. Por ser um material orgânico, a rolha contém fungos que podem produzir compostos aromáticos semelhantes a pano molhado, mofo. Conhecem aquela de “cheirar a rolha” antes de tomar o vinho né? É pra sentir se de alguma forma houve produção desse composto em alguma etapa do envelhecimento. Esse aroma pode aparecer depois do vinho já ter saído da vinícola, dependendo da forma como o vinho é armazenado pelos distribuidores. Para evitar, devemos privar a garrafa do contato com produtos de limpeza, principalmente. Isso não é o fim do mundo, se você estiver em um restaurante pode trocar a garrafa, e pode ficar tranquilo que não faz mal pra saúde, é só aquele cheirinho ruim mesmo…

BOUCHONNÉ.jpeg

Diferenciando rolhas: Bouchonné na direita.

Semana passada eu falei de tomate, hoje eu falo de leite… É valido pra entender melhor: e se todo o leite que produzimos hoje ainda tivesse que ser tirado direto da teta da vaca pra caneca pra ser considerado bom? Afinal, é o modo mais tradicional, né? Por mais que pesquisas garantam que a caixinha longa vida diminui a quantidade de microorganismos em 99,999% por conta do processo de altas temperaturas, tem quem acorde todos os dias 5 da manhã pra ser tradicional.

É errado tomar direto da teta da vaca? Não. É errado preferir vinhos com rolha? Não também, mas é importante saber que esse é o modo tradicional que historicamente mantemos, mas tem também a opção da caixinha pro leite e da rosca pro vinho, que são opções recentes com tecnologia aplicada.  Dúvidas, alunos?

Finalizando o raciocínio, eu não to aqui pra te impedir de comprar vinho com rolha ou parar de tomar leite direto da vaca, só tô dizendo pra não deixar de comprar vinho caso seja de rosca e consumir o longa vida quando não tiver uma vaca do lado… quebrar tabus é a nossa missão numero 1! ❤

Enfim, qualquer dúvida eu to sempre aqui pra tirar. Se eu não souber responder, pesquiso, pergunto, leio e respondo! Hoje foi um assunto mais curtinho e simples, então fiz um bônus, peguei essas ideias do site Destemperados, com alguns vinhos brasileiros e opções de harmonização. Pra quem quiser, no site eles colocaram 10 opções vinhos, mas eu trouxe apenas os brasileiros.

DESTEMPERADOS

O link direto pro site deles é:

http://www.destemperados.com.br/bebidas/10-vinhos-para-conhecer-por-ate-r-60/

1. CAMPOS DE CIMA RUBY CABERNET: Esse é um vinho muito marcante e expressivo, produzido na região da Campanha Gaúcha. As notas de pimentão e aspargo combinam muito bem com massas, molhos temperados e queijos. Preço médio: R$ 52

2. CASA VENTURINI RESERVA MERLOT: É um vinho tinto Merlot produzido em Flores da Cunha, Rio Grande do Sul. A coloração é linda, com tons avermelhados, e o aroma é de frutas vermelhas e chocolate. Combina muito bem com grelhados, massas e queijos. Preço médio: R$ 52

3. LÍDIO CARRARO AGNUS CABERNET SAUVIGNON: A Lídio Carraro é uma vinícola de Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, mas a uva Cabernet Sauvignon vem de Encruzilhada do Sul, onde fica o vinhedo da marca. Esse é um vinho macio e muito jovem, com aromas de chocolate, pimenta e ameixa preta. Experimente harmonizar com churrasco, cordeiro e carnes de caça em geral. Preço médio: R$ 52

4. DAL PIZZOL PINOT NOIR: Essa é uma outra opção para quem prefere vinhos de uva Pinot Noir. Produzido em Bento Gonçalves, essa bebida da vinícola Dal Pizzol combina muito bem com massas, pescados, pratos como strogonoff e queijos tipo Camembert, Colonial e Gorgonzola. Preço médio: R$ 55

5. VILLA BARI GRANROSSO: O Granrosso é um vinho feito com as uvas Merlot, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon. Os aromas dele lembram ameixas pretas, amoras, cerejas e uva passa. Acompanha muito bem pratos com carne vermelha e molhos de sabor marcante. Preço médio: R$ 60

6. FAUSTO DE PIZZATO MERLOT: É um vinho tinto Merlot produzido pela vinícola Pizzato, de Bento Gonçalves. A bebida é equilibrada e persistente na boca. Harmoniza muito bem com caças em geral, porco, massas e risotos a base de funghi. Preço médio: R$ 50

Espero que tenham gostado da postagem de hoje!  No mais, semana que vem to aqui de novo, com uma surpresa bem bacana!

Espero vocês 🙂

Beijo no core ❤

Bea

Vinhos são todos de guarda?

Olha nós aqui de novo! :B

Alguns terminando as férias, eu começando… aô goiás veio sem porteira!

Quantas vezes você já ouviu que quanto mais antigo o vinho, melhor? De um lado, esse conceito pode ser real e bem aplicado (até certo ponto)… por outro lado, se guardamos um vinho “sem potencial”, temos aí uma garrafa perdida. Triste, né? 😦 Nos resta entender o porquê isso se aplica a uns e não se aplica a outros. Então vamos lá…

Se define a guarda de um vinho com diversas análises laboratoriais durante a maturação da uva, onde o enólogo define se aquele posterior vinho terá POTENCIAL PARA GUARDA ou não. E também, claro, muita análise sensorial com o passar dos anos, né? Só analisar não dá, tem que tomar! hahahahah

Dentro das variedades – que já demos uma olhada aqui no blog sobre elas – temos características fisico-químicas diferenciadas, que se apresentam tanto na película, quanto na polpa ou nas sementes. Como comparativo simples, vamos considerar por exemplo dois tipos de tomate: o salada/longa vida e o italiano. O tomate longa vida é bem aguado, com muita semente e pouca carne… aquele redondinho que compramos no mercado. Ele não é interessante pra molhos, por conta dessas características. Já o italiano, que é bem mais carnudo, mais adocicado e tem poucas sementes, é ideal pra um molho bem vermelho e potente. Aqui a gente aprende de vinho, a fazer salada e fazer molho, minha gente! HAHAHAH

TANNAT

Variedade Tannat

PINOT NOIR

Variedade Pinot Noir

Encaixando as uvas, como uma regra geral, é mais usual você encontrar um Tannat de guarda do que um Pinot Noir, considerando a Tannat geralmente com uma carga de cor muito presente, além de taninos bem intensos, que devem ser amaciados com o tempo. Comparamos então com a Pinot Noir, que tem película mais fina e menor carga de cor e adstringência. Mas sempre tem as exceções, certo? Tem quem consiga Pinot Noir ótima pra envelhecimento e quem faça Tannat pra consumo jovem… tem de tudo viu? Não vamos generalizar. Então, em outras palavras, a cor do vinho se dá pela carga de antocianinas presentes na película da fruta, já que a polpa usualmente é branca. Os taninos estão presentes tanto na casca quanto na semente, e dão a adstringência do vinho. Com o passar do tempo, esses compostos se conectam e vão amaciando o vinho… deixando-o EQUILIBRADO.

Como eu já comentei uma vez, um vinho tem um período de vida limitado, não é? Ele nasce, tem sua ascendência, seu ápice e seu decaimento. Então vamos associar as coisas: Quando nasce, um vinho é cru, e suas molequinhas estão novas e ativas. Por isso, temos a coloração violácea intensa quando abrimos um vinho tinto jovem… suas antocianinas ainda estão livres por ali, de coloração bem forte e com um tom de roxo bem presente. Durante sua ascensão, suas moléculas proteicas vão se ligando e se ESTABILIZANDO, criando pontes químicas que o tornam mais agradáveis em boca. Em seu ápice, Sua coloração já se apresenta como um rubi/avermelhado, tendo perdido muito do violáceo uma vez presente quando jovem. Quando decai, esse rubi vai se transformando num atijolado, alaranjado… estando seu vinho em fase de decadência, onde as proteínas se desconectam e precipitam, e desequilibram novamente o seu vinho. Entendido?

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Como disse antes, como #4 um vinho mais violáceo, #5 um tinto rubi e #6 um vinho tinto mais alaranjado.

Agora, como eu sei o período certo de envelhecimento pra consumir meu vinho em seu ápice? Olha, seguramente digo que o enólogo que fez aquele produto é a pessoa ideal pra te dizer quanto tempo de vida aquela garrafa tem. Com certeza análises laboratoriais foram realizadas, e definiram alguns parâmetros que devem ser mínimos pra um vinho ser considerado apto para envelhecimento e também quanto tempo seria o ideal para um ápice provavel. Mas, geralmente, a gente consegue essa informação de acordo com as linhas de uma vinícola, lembra do post passado? Não vamos guardar por 10 anos um vinho que custou 20 reais! Geralmente os vinhos de guarda possuem o valor agregado pelo tempo que ele passou parado, certo? Então estejam cientes que o bolso tem que estar preparado! Hahahahaha

Algumas uvas não possuem alta carga de polifenóis totais que dão capacidade para o vinho poder envelhecer. Isso significa que o vinho vai ser ruim? NÃAAAAO! apenas que ele deve ser consumido jovem, porque não precisa de tanto tempo para ligar todas as moléculas necessárias pra ser considerado equilibrado! E por isso, ele NÃO é um vinho com potencial pra guarda, mas não necessariamente é um vinho ruim.

De acordo com meu amigo e enólogo Marcus Chaiben, existem 4 pilares que definem o envelhecimento de um vinho:

Acidez: ela é perdida durante o envelhecimento, seja ele em barrica ou em garrafa. Um vinho sem acidez, é considerado um vinho chato (não de chatice, mas de plano), porque ele entra em desequilibrio com as outras sensações que encontramos em boca (adocicado, amargo, adstringente…) se tornando um vinho incompleto! Mas né, assim como tudo na vida, tem gosto pra tudo!

Alcool: funciona como anti-séptico, que impede a entrada de bactérias e outros micro-organismos no vinho (como por exemplo a bactéria acética, que pode avinagrar a bebida). Sem potencial alcoólico, seu vinho está suscetível com o tempo e pode haver contaminação!

Intensidade de cor: A antocianina, que dá cor pro vinho, vai se precipitando, então se não está presente em quantidade considerável, após o envelhecimento, o vinho vai apresentar uma coloração muito fraca e amarelada, tendo perdido seu caráter tinto. PS: Vinhos brancos com envelhecimento vão escurecer, ok?

Intensidade de adstringência: o tanino é responsável pela adstringência do vinho (aquela da banana verde), e durante o envelhecimento atua como protetor do vinho, impedindo que o oxigênio danifique a bebida. Fazendo isso, ele estabiliza a antocianina, deixando o vinho com a cor mais estável, e ganhando um toque mais macio/aveludado/equilibrado em boca. Se o vinho não tiver taninos o suficiente, a cor não se firma.

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Barricas de envelhecimento da Miolo, onde meu querido Marcus trabalha. HAJA BARRICA, BRASIL!!!!

Voltando pro “como comprar”…

Enquanto um vinho de determinada linha precisa de 10 anos pra ser estabilizado e colocado à venda, algum outro vinho precisa ser vendido pra fazer o giro de caixa, pra manter aquele vinho ali armazenado, certo? It’s all about bisssssnessss babe! E pra isso as uvas dos fornecedores (ou mesmo de produção da vinícola) são analisadas antes de serem colhidas, e serão definidos os indices de acidez e açúcar (maturação 1) e maturação de polifenóis totais (maturação 2). O objetivo final do seu vinho deve ser avaliado, e de acordo com isso (vinho tinto jovem, tinto de guarda, espumante…) a colheita vai ser determinada para agora ou para depois, de acordo com o equilíbrio entre as maturações 1 e 2!

Agora, onde cada um se encaixa? É simples… você vai tomar uma garrafa de vinho tinto 10 anos encorpado na praia, no calor do nordeste? Ou então, que tal um vinho tinto safra 2017 que voce comprou semana passada pra um churrascão bem gorduroso? Melhor não né, nenhuma das opções… melhor um tinto encorpado pra um jantar gorduroso e um vinho jovem bem levinho pra um dia de praia fresquinho, né?! É tudo questão de equilíbrio, pra tudo na vida! Existem ocasiões que pedem um, existem ocasiões que pedem outro!

MEU DEUS, FALEI DEMAIS. Como sempre. Infelizmente, o post de hoje ficou maior que o esperado… então vou incluir a parte de redução e “oxigenação” do vinho no post que vem, que eu falo sobre rolha, screw cap e vamos quebrar aquele tabu sobre “vinho de rosca” ser ruim, viu??? Agradeço meu amigo irmão parceiro camarada do coração Marquinhos, que sempre me desempaca quando não tenho as palavras certas pra explicar alguma coisinha pra vocês!

Então, por hoje é só, espero não ter falado grego demais hahahahhaha mas qualquer coisa chama aqui que a gente tira as duvidas!

Um beijo no core ❤

Bea

Que vinho eu compro? Como eu guardo? Abri e sobrou… SOS!

Bueeenas meu povo!

Tá um frio de renguear cusco no Brasil todo, né? Fez 5 graus os gaúchos botam manga comprida, fez 20 o goiano já tá mudando o chuveiro pro *inverno* e vestindo os mulitão… E eu bem goiana aqui no sul, to sofrendo que ta louco. Mas já to aqui no sol com a cuia na mão, quase congelando… mas seguimos!

Quem nunca se perguntou se o vinho baratex é bom mesmo? Ou deixou de comprar por não confiar nos de 20 reais e não ter dinheiro pro de 50? Ainda mais… e se eu abrir e não tomar tudo? E se eu nem abrir? É tanta dúvida que é mais fácil comprar um refri… coca sem gás é deus na terra (ou quase).

E PRA ISSO ESTAMOS AQUI! Esclarecer, clarear, facilitar a vida, né? Então vamo lá!

Qualidade vs. Preço

Primeira duvida que assola a vida de qualquer pessoa quando o assunto é comprar. Assim como qualquer outro produto existente no mercado, existe uma relação, certo? Mas COMO ela se aplica ao mundo do vinho? Eles colocam mais barato o vinho ruim? E agora? Deixo de comprar por só ter grana pro barato? Vai ser ruim?

Vamos com calma… Pode demorar mas a gente chega lá. Existe uma relação de preço e qualidade sim, mas classificamos como LINHAS de uma vinícola. Os produtos mais caros têm esse preço levando em consideração o valor que foi pago pela matéria-prima em sua total sanidade, os insumos utilizados durante o processamento, o tempo que esse produto passou ali parado amadurecendo até chegar a você… tudo entra em consideração! É o famoso valor agregado. Dependendo da uva, alguns precisam passar ANOS em caves subterrâneas (que mantém a temperatura mais fria e estável), e vinho parado = dinheiro investido que não está voltando, certo? Tudo isso é compensado depois. Estamos quase chegando lá…

VINHO CHINELO

SE EU RI?? Gente, eu passei foi mal com essa placa de oferta de vinho chinelo HAHAHAHAHAHHA esclarecendo, o Altue é um vinho CHILENO! Baita de uma escorregada hahahahah

Os vinhos “baratos” GERALMENTE foram feitos pra consumo rápido mesmo, são os vinhos de prateleira que temos ali no mercado. Por muitas vezes encontramos só de vinícolas grandes, que produzem em maior quantidade e por isso conseguem baratear o produto. Não significa que é ruim por ser barato, e sim que é feito em escala industrial, e não familiar! Nem todo vinho é de guarda, alguns rótulos você não encontra de safras anteriores propositalmente! As características químicas dele o tornam um vinho agradável de se tomar em pouco tempo depois de engarrafado, inclusive não recomendo “guardar em casa” por muito tempo além de alguns meses depois de comprar… as uvas não possuem características que suportem os anos, e eles podem acabar estragando… 😦 se foi disponibilizado pra venda jovem, é pra ser consumido assim mesmo. ❤

Por isso ouvimos histórias como “minha mãe guardou um vinho da safra do casamento dela e foi tomar no aniversário de 20 anos de casada e tava terrível!” hahahahaha. Pode acontecer sim! Grandes chances do seu elixir do amor se tornar um baita vinagre.

Eu compro em casa quando vou receber colegas (eles também compram quando me recebem) e o intuito não é ficar balançando a taça e sentindo aroma, avaliando… somos jovens, universitários, o intuito é não beber cerveja! hahahaha. Se você quer servir pra numa festa mais elaborada, num evento… aí já é outra história! Vamos ponderar, né? O proletariado não merece pagar 150 reais numa garrafa de Pinot Noir pra chorar vendo o final da série numa 4ª feira a noite… Bom senso sempre!

Finalizando o tópico “vinho barato”: Pode comprar? Pode. Se a safra escrita no rótulo é do ano em que eu estou, eu compro e posso beber em seguida? Sim! Ele tá estragado, por isso tá barato? NÃO MESMO. Eu posso ou devo guardar esse vinho de safra do ano pra tomar depois de alguns anos? Não recomendo… se foi colocado a venda no ano em que foi processado, provavelmente o enólogo iria te indicar a não guardar. Pode tomar na taça de plástico porque não tenho de cristal ou de vidro? Pode (DEVE se estiver de galera… evita de quebrar e é mais fácil de lavar… tenho várias inclusive). Fica até mais legal cada um ter sua cor de taça, pra não confundir! Pode tomar no copo porque não tenho taça? Pode também. O que importa é a companhia que tá do teu lado, as conversas boas, as risadas e as lembranças. Dá dor de cabeça? Vai de organismo pra organismo… pra evitar vai devagar com a água do lado!

Como eu guardo ele antes de abrir? 

Agora, pra finalizar. Comprou e vai tomar daqui a uns meses? Espumante você guarda de pé. Vinho tranquilo (sem bolhas), deixa deitado, de preferência num lugar que não tenha incidência de luz… alguns estudos  mostram que não tem muita diferença na incorporação de ar pro vinho deitado ou de pé, e sim o que muda é o material do qual a rolha é feito. Mas é melhor manter deitado, pra manter a rolha úmida, assim ela não quebrar na hora de tirar! Certo? Se é screw cap/tampa de rosca, deitado ou de pé… indiferente. Mas proteja da luz sempre!

Já abri, e sobrou!

Abriu, sobrou? Minha dica é um bichinho de plástico bem pratico que tenho em casa: Vacu Vin ou Salva Vinho. É uma bombinha muito útil que te conserva o vinho por mais um ou dois dias. Pode ser um pouquinho caro, varia de 50 a 70 reais… se é pra não usar não vale a pena! Não dá pra guardar por um mês, mas pelo menos segura de um dia pro outro! E pros espumantes tem as tampas herméticas, que mantém o gás na garrafa e salvam suas borbulhas. Dá até pra guardar a garrafa deitada que não vai vazar!

Espero ter explicado algumas dúvidas, e o que não expliquei falo semana que vem num post POLEMIQUÍSSIMO: nem todo vinho é de guarda, viu? E vou explicar o porquê! Estarei de férias da faculdade em casa, no calor do meu goiás, mas bem sentadinha escrevendo pra vocês. No mais, até semana que vem…

Beijo grande no core!

Bea

Isso é vinho?

Olha eu aqui de novo!

Como prometido, hoje vou falar um pouquinho sobre o que efetivamente É o vinho, qual a influência do tipo de uva escolhido no produto final e as diferenças que encontramos em cada garrafa de acordo com a matéria-prima utilizada. Parece complexo, mas a gente facilita! 😉

O vinho, por lei, nada mais é do que o mosto (líquido resultante da prensagem) da uva, fermentado. Os açúcares ali presentes são consumidos por leveduras (adicionadas ou da casca), que formam álcool e gás carbônico. O gás sai, o álcool fica. Quando todo o açúcar já tiver sido fermentado, ocorre uma parada na fermentação e as leveduras morrem por ausência de alimento e excesso de álcool no meio. Existem variáveis, mas na teoria, é isso ai! Parece fácil, mas é dificil! As possibildades de dar errado são grandes… hahahahaha

Então, vinho DE VERDADE, nada mais é do que todo liquido resultante da fermentação das uvas. Não de abacaxi, não de pêssego, morango ou mamão: fermentação de uvas. O rótulo deve te informar isso no verso, no parágrafo “ingredientes”. Se tá escrito coquetel alcoólico ou qualquer informação que não seja “Fermentado de uvas + conservantes”, não é vinho, é outro produto que talvez contenha vinho na composição. Alvo mais que a neve, né? Então seguimos.

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Um dos rótulos que tenho na galeria de garrafas vazias aqui de casa. No parágrafo ao lado do código de barras, encontramos: Ingredientes: fermentado de uvas, conservador INS 220. 

O seu produto final vai ser resultado da matéria que você tem nas mãos, certo? Isso a gente consegue escolhendo as cepas/variedades/castas (tem bastante nome pra uma coisa só mesmo) da uva que vamos usar. Dependendo da escolha, teremos um vinho COMUM, ou um vinho FINO.

  • Vinho de mesa comum: feito com uvas NÃO VINÍFERAS (hibridas ou americanas/labruscas). O famoso garrafão, lembra? Essas uvas também são facilmente encontradas pra consumo in natura, como a Isabel, a Niágara ou a Bordô, e utilizadas na produção de sucos integrais. A principal característica desse vinho é o “cheirinho de uva” que ele tem, que muita gente gosta. Essas variedades produzem vinhos com um aroma que chamamos de foxado. Sem delongas, o vinho tem aromas de uva, e nada mais! Não coloquei fotos especificando porque nao achei nenhuma montagem legal. 😦
  • Vinho de mesa fino: feito com uvas VINÍFERAS. É mais difícil o consumidor ter acesso a essa uva em si, tendo em vista que determinadas cepas não são ofertadas pra consumo in natura, apenas para processamento. Depois que fermenta, fica diferente? Bastante. Os fermentados de uvas viníferas tintas como Merlot, Pinot Noir ou Cabernet Sauvignon podem produzir aromas como frutas vermelhas, especiarias, couro, pimentão… um mix maravilhoso. Tem também Chardonnay, Sauvignon Blanc ou Riesling que são brancas, e você encontra aromas como frutas cítricas, frutas brancas, frutas tropicais, guaraná… com treino todo mundo chega lá!
UVAS VINIFERAS

Uvas brancas viníferas

UVAS TINTAS

Uvas tintas viníferas

Informação importante nº 1: todas as informações que o consumidor deve saber estão no rótulo, obrigatoriamente. Podemos inclusive encontrar vinhos varietais (produzidos com apenas uma variedade) e assemblages, que são os chamados cortes de vinhos de duas variedades ou mais.

Informação importante nº 2: algumas vezes encontramos no rótulo “vinho de mesa fino”. Vinhos de mesa, por lei – por mais que seja usual usar o termo pra falar de vinhos comuns – é o vinho com graduação alcoólica entre 10 e 13º v/v. Então se tá escrito fino, é de viníferas, se tá escrito comum, é de americanas. No more excuses pra não comprar!

Informação importante nº 3: é porque é comum que é ruim e/ou porque é fino que é bom? Gente não me arrasa não… vinho bom é vinho feito com uva boa e com processamento correto! O gosto pessoal de cada um não significa que o produto seja de má qualidade, ok?

Informação complementar: Existem uvas pra consumo in natura tanto viníferas quanto labruscas, e encontramos algumas facilmente no mercado. Alguns exemplos de viníferas são a Red Globe, a Itália e a Rubi, aquelas grandes, carnudinhas e que a película não se solta com facilidade da polpa. A variedade americana de mesa que mais vi na vida – e adorava quando criança – é a Niágara, aquela que todo mundo come no natal. E você aí nem sabia que eram espécies diferentes, né? ;P

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Resumindo o angu… É porque é corte que é ruim? São sobras? Posso fazer um corte em casa? Não mesmo, de jeito nenhum e… não recomendo. Assemblages são elaboradas pelos enólogos pra que um vinho se torne mais agradável ao consumidor. Tem vinhos que tem potência aromática mas não tem corpo… se você junta com um vinho encorpado mas sem potência aromática, você tem um vinho aromático e com corpo, alcançando o equilíbrio. Esse é o espírito!

Falei horrores e ainda tenho o sentimento de que falta… então, qualquer dúvida manda pra nós que eu respondo assim que possível. ❤

Semana que vem falo um pouquinho sobre qualidade vs. preço, como armazenar suas garrafas compradas em casa e como guardar pra tomar depois de abertas… é muita dúvida pra pouco post! hahahahahah

No mais, me despeço por aqui e foi um prazer falar mais um pouquinho de wines pra vocês.

Beijo no core,

Bea

 

 

Vamos falar de vinhos brasileiros…

⁠⁠⁠Alo navegantes!

Fui convidada pela Raissa (❤) a falar um pouquinho sobre vinhos aqui nessa coluna, desmistificar um pouquinho essa bebidinha maravilhosa que Baco nos deu. Antes de tudo, me apresento a vocês.

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Vinhedos da vinícola Luiz Argenta, em Flores da Cunha – RS, e euzinha ^-^

Me chamo Ana Beatriz Camargos, moro desde 2014 em Bento Gonçalves no Rio Grande do Sul, estudante do curso superior de Viticultura e Enologia no IFRS. Sou natural de São Paulo e fui criada em Goiânia, terrinha do coração. Não conhecia NADA de vinhos quando me mudei pra cá, foi um belo de um tiro no escuro. Eu sequer sabia que existia um curso superior que ensinasse a “plantar uva e fazer vinho” no Brasil… uma loucura. Quem me motivou foi meu pai, que desde a minha infância sempre teve uns rótulos em casa… cresci vendo a paixão dele por isso, e então nasceu aquele pontinho de amor no coração.

Decidi colaborar com o blog depois de fazer um post num grupo do facebook pra ajudar o pessoal na hora de comprar, tirar algumas dúvidas… Raissa me encontrou, me convidou pra ter um espacinho meu, e cá estou eu!

Em primeiro lugar, decidi falar com vocês de um tema que me pega pelo coração e não tenho como deixar de lado: vinhos brasileiros.

Infelizmente nós, brasileiros, temos o péssimo hábito de supor que o que vem de fora é sempre melhor… como diria Nelson Rodrigues, o famoso “complexo de vira lata”. Entrei no curso com esse pensamento, e me surpreendi MUITO com o que encontrei aqui na Serra.

Nossos terroirs (combinação de solo, clima, relevo, chuvas e altitude) são muito diversos, e por conta disso, segundo o IBRAVIN (Instituto Brasileiro do Vinho), temos 19 (sim, DEZENOVE) pontos de produção:

MAPA REGIÕES PRODUTORAS

Retirado do site do IBRAVIN, regiões produtoras do Brasil.

Vale do São Francisco – BA; Nova Mutum – MT; Santa Helena de Goiás – GO; Região Serrana – ES; Norte e Sul de MG; Noroeste e Leste de SP; Norte e Oeste do estado, Campo Largo, São José dos Pinhais e Curitiba – PR; Vale do Rio Tijucas, Litoral Sul e Lages – SC; Alto Uruguai, Campos de Cima da Serra, Serra Gaúcha, Santa Maria, Serra do Sudeste e Campanha Gaúcha – RS

Tem ou não tem lugar pra visitar, passar frio, passar calor, tomar vinho bom, curtir paisagens maravilhosas e curtir as férias sem precisar de passaporte? Tem MUITO!

Falando em especial desse cantinho que chamo de lar, a Serra Gaúcha, temos a maior produção do Brasil, com cerca de 60% do total do país. As uvas começaram a vir junto com as caravelas (não dá pra rezar a missa com caldo de cana, né?), e no início eram cultivadas variedades como Isabel e Bordô, principais bases de um vinho de mesa comum, o famoso de garrafão. Até hoje o consumo de vinhos de uvas não viníferas representa uma boa parcela do mercado, graças a essa herança histórica. Com o início do plantio das variedades finas como Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay, mais vinhos foram produzidos, e o estudo da área foi sendo vagarosamente aprimorado.

Em 1960, foi fundada a primeira Escola de Viticultura e Enologia do Brasil, hoje o IFRS – Campus Bento Gonçalves. Desde então o ramo começou a se especializar, especialmente depois da década de 1990. Hoje temos além de outras cinco escolas no país, a Associação Brasileira de Enologia, a maior Avaliação Nacional de Vinhos do mundo (cerca de 800 pessoas degustando simultaneamente o mesmo vinho no mesmo local) e diversas tecnologias aplicadas na área, além de muitas medalhas em concursos nacionais e internacionais conquistadas. Que orgulho, né?

Comparando com países do chamado Velho Mundo que vinificam por tradição, somos muito jovens e inexperientes no meio. Estamos entre os países do Novo Mundo, que tiveram seu crescimento na vitivinicultura no século XX. Inclusive, somos muito bem reconhecidos no mundo todo pelos nossos excepcionais espumantes. Repete comigo: Que orgulho, né?!

velho mundo x novo mundo

“Velho” mundo: França, Itália, Alemanha, Espanha, Portugal… e “novo” mundo: EUA, China, Brasil, Austrália, África do Sul…

Por conta da imigração, muitas das vinícolas ainda são de pequeno porte e sustentam as áreas rurais da Serra, com bastante influência italiana e alemã. Algumas das maiores que temos na cidade são a Miolo, a Aurora, a Casa Valduga, a Chandon e a Salton. Os produtos são feitos pra agradar desde o público mais exigente e conhecedor até quem não conhece nadinha e veio pra aprender e conhecer. Tem tinto, rosé, branco, doce, suave, seco, de guarda, jovem… é só pedir que tem pra degustar sempre!

Algumas vinícolas também trabalham com vinhos naturebas, os biodinâmicos e orgânicos. Um trabalho bem lindo, que envolve os ciclos da natureza e a ausência de agroquímicos como pesticidas ou fungicidas, apenas com produtos naturais (vinho orgânico) e a filosofia de respeito à biodiversidade local, com auxílio das fases da lua e equilíbrio da natureza (vinho biodinâmico). REALMENTE, tem pra todos os públicos!

Enfim, finalizo esse post convidando cada leitor a pesquisar e conhecer um pouquinho sobre a região produtora mais próxima de onde mora, e em especial – tem que sobrar umas graninhas né? – conhecer o RS, onde toda essa história se perpetuou desde o século 19. Existem histórias lindas de gerações a serem contadas e vinhos incríveis a serem descobertos.

Semana que vem conversamos sobre a diferença entre vinho comum vs. vinho fino, explico sobre as uvas e diferenças entre cada uma delas “in natura” e vinificadas. Qualquer sugestão ou dúvida pode ser feita aqui pelos comentários ou inbox. Espero que tenham gostado, e logo to aqui de novo!

Até semana que vem. 🙂

Beijos no core,

Bea