Barris de carvalho: Como a madeira contribui no vinho?

Fala meu povo!

To eu aqui, ta tu aí, e ainda nesse clima de final de ano tem dedicatória novamente: o post de hoje vai pro Michel, que atende o pessoal na parte turística da Cave de Pedra, no Vale dos Vinhedos. Sempre discutimos bastante a respeito dos processos enológicos, e hoje vamos abordar um assunto muito questionado pelos turistas: Barris de carvalho!

Como sabemos, existe vinho sendo feito desde a antiguidade (Jesus que o diga), e por esse motivo a bebida carrega consigo características ainda tradicionais, que foram sendo readaptadas com o tempo.

Algumas vezes nos perguntamos o que realmente a madeira tem a contribuir no vinho… É muito comum ainda encontrarmos um público que preze pelo amadeirado, pelo vinho que passou por barricas/pipas de madeira, mesmo sem entender muito bem o motivo delas serem usadas. É pra isso então que estou aqui hoje… dar umas colinhas a respeito de como elas são feitas e responder algumas questões que geralmente são levantadas.

barris de carvalho

Em primeiro lugar: O que é uma barrica de carvalho?

A barrica de carvalho é o recipiente onde o vinho pode – ou não – passar seu último estágio antes da garrafa: o envelhecimento, que chamamos também de afinamento e maturação. Um vinho pode não passar por esse estágio em madeira? Sim, mas isso será definido de acordo com as características moleculares da uva utilizada e do processo de vinificação aplicado. Falamos aqui principalmente de vinhos tintos, mas podemos incluir também vinhos brancos, espumantes, e principalmente os licorosos.

E como esse barril é feito? Como ripas se tornam um barril? Tem parafusos?

Primeiramente o lugar onde as barricas são feitas são chamadas Tanoarias, e a madeira é toda encaixada e presa com os aros metálicos, sem nem mesmo um preguinho. A madeira é aquecida até que se torne maleável, e então disposta no formato de barril. Esse aquecimento pode ser feito com vapor d’água, fogo, água fervente, ou “wet-fire”, onde primeiro mergulham a madeira em água fervendo e depois é usado o fogo. Vou deixar aqui um link pra vocês entenderem como é realizado o processo. Manual em sua essência e muito trabalhoso, mas lindo de ver!

Processo de fabricação de uma barrica – TANOARIA (clica aqui)

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Por que carvalho?

Diversos estudos foram realizados sobre a associação da madeira com o vinho. Antigamente, a barrica era apenas um recipiente usado para armazenamento e transporte, não com o objetivo de “afinamento”, como hoje se enquadra. Diversos tipos de materiais foram testados, como Jequitibá-Rosa, Castanho e Cerejeira. Por sua resistência, impermeabilidade e combinação de sabores e aromas quando somado com o vinho, o carvalho vem sendo usado até hoje no processo de vinificação.

Carvalho francês, carvalho americano… qual a diferença?

Francês – Quercus Petraea e Quercus Robur: Ao serem extraídas de Limousin, Tronçais e de Voges, principais florestas onde encontramos carvalho francês, as madeiras são fendidas – e não serradas. São secas ao ar livre, dando caráter mais próprio e com menor interferência humana. A Quercus Petraeae aporta mais aroma e menos estrutura, e Quercus Robur aporta maior fixação de cor – os famosos polifenóis – e corpo, e menos aromas. Sensorialmente, lembram baunilha, com notas mais macias e adocicadas.

Americano – Quercus Alba (White Oak): A madeira de origem americana possui mais taninos (sim, os carvalhos trazem seus taninos naturais ao vinho), e uma carga maior em óleos essenciais quando comparada à madeira francesa. O sistema de preparo é mecanizado, sendo utilizado laser e serra elétrica, além da secagem ser feita em estufas – um ambiente totalmente controlado. Esse tipo de carvalho aporta mais aroma e menos estrutura. Os aromas e sabores remetem a coco queimado, café e baunilha.

E qual é a função do carvalho?

Gente, isso foi choque até pra mim quando descobri – graças a Vinícius Fornasier, meu professor e maior ídolo enológico da vida: por conta da porosidade da madeira, a função do carvalho é micro-oxigenar o vinho, fazer o que chamamos de afinamento, torná-lo redondo e agradável em boca e nariz. Tirar aos poucos os aromas reduzidos e deixá-los abertos, mas sem excessos – por isso a degustação nessa hora é essencial. Como consequência acontece o aporte de aromas, claro, além da combinação de taninos e polifenóis, que dão essa sensação de maciez e redondeza em um vinho. Quanto melhor o índice de polifenóis totais de um vinho, melhor o resultado da micro-oxigenação. Traduzindo: não adianta colocar um vinho sem potencial (quimicamente falando) ali dentro, porque milagres não vão acontecer – pelo contrário, podem torná-lo um “suco de madeira”.

Tostagem da madeira… o que isso quer dizer?

A tostagem da madeira diz respeito literalmente ao tempo e intensidade que aquele barril “pegou fogo”, hehe. A tostagem é feita com lenha de carvalho, havendo tosta alta, média-alta, baixa… por aí vai. Quanto mais alto o nível de tostagem, mais aromas torrados o vinho vai aportar – como café, por exemplo. Todo extremo não é benéfico, né? Isso se encaixa aqui também. A tostagem mais comum que geralmente encontramos por aí é de média a média-alta.

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Qual deve ser o tamanho de uma barrica?

Isso aí é complicado, cada região tem sua medida, mas costuma-se dizer que em uma barrica cabem 300 garrafas – em outras palavras, 225 litros. Aqui embaixo, coloquei uma tabelinha que encontrei, dizendo os países, as regiões e o tamanho utilizado:

tabela barricas

Quais são as desvantagens do barril?

Como é muito falado, a barrica de carvalho francês custa em torno de 5 mil reais. Sim, uma única barrica que comporta 225 litros custa 5 mil reais. O carvalho americano é um pouco mais barato, mas não fica longe disso. Seu tempo de uso é de aproximadamente 3 anos, e depois de um certo uso ela acaba perdendo a porosidade e sendo mais um foco de contaminação do que um meio de maturação.

A madeira pode passar aspectos negativos ao vinho?

O pior é que sim, e olha… é terrível beber um vinho que exala madeira velha. Se houver contaminação por Brettanomyces, uma levedura muito sacana, o vinho vai trazer aromas de celeiro, couro, lã molhada e suor de cavalo. Caso uma mocinha chamada Acetobacter também te atingir, o álcool presente no vinho começa a se transformar em ácido acético, basicamente tornando o vinho um vinagre. Triste, né? Se não for tomado o cuidado necessário com a limpeza do local, elas se espalham feito pó-de-fada, chega a ser como mágica: você não vê, mas elas estão ali!

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No detalhe, uma camada de acetobacter, a mãe do vinagre!

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Camadinha linda de Brettanomyces: bem vinda em algumas cervejas, não no vinho.

Existe outra maneira de amadeirar o vinho?

Existe sim. Os chips são lascas de madeira que as vinícolas podem colocar no tanque de inox, em busca do aporte de sabores e aromas. Os cubos são outra alternativa, porém com menor superfície de contato. Calma o coração, que é permitido por lei. Ao invés do vinho ser colocado na madeira, a madeira é colocada no vinho, simples assim. “Ah, mas ali em cima você falou sobre o afinamento e a micro-oxigenação… e aí?” Gente, a tecnologia é uma mãezona né? Existem micro-oxigenadores de cerâmica que podem ser utilizados, e você pode até mesmo escolher a quantidade de oxigênio liberado. Diferentemente do barril, esse micro-oxigenador portátil tem mínimo de 10 anos de vida útil e MEMÓRIA pra você salvar as medidas utilizadas anteriormente. Sempre, claro, com muita análise sensorial. Agora tudo tranquilo, né?

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Vos apresento: micro-oxigenador para vinho!

E como diferenciar o vinho de barril e o vinho de chip?

Muito difícil pra quem não tem um nariz muito bem treinado… tem quem pegue na taça e diga de cara, o que eu acho um talento absurdo. Geralmente os rótulos informam sobre a presença de madeira, mas nada especificando essa diferença. Mas fica tranquilo que não é o chip ou cubo de carvalho que vai tornar seu vinho de má qualidade… ok?

O que devo esperar quando um vinho é “amadeirado”?

São conhecidos diversos aromas que podem ser descritos como adquiridos em barrica – ou aroma terciários. Alguns deles são coco, mel, cravo, pimenta, tabaco, café, caramelo, tostado, defumado, a famosa baunilha… e por aí vai! Vou colocar aqui de novo a roda de aromas que podem ser encontrados em um vinho, incluindo os amadeirados:

RODA DE AROMAS

MEU DEUS……. hoje deu pra suar na pesquisa, viu? Claro, quando a gente tem professor com o dom da didática na faculdade tem que exaltar o indivíduo né? Mais uma vez obrigada professor Vini por ter me ensinado a respeito do amadurecimento de um vinho da maneira correta, os cadernos foram grandes aliados. E espero que tenha ficado tudo claro a respeito da fabricação e do uso da barrica de carvalho, o que a torna tão famosa, já que esse foi meu objetivo do dia.

Sempre deixo bem claro que qualquer informação adicional ou correção é sempre bem-vinda, já que no mundo do vinho uma porteira que se passa são cem novas que se abrem.

No mais, fico por aqui e vejo vocês logo mais com outros assuntos dionísicos.

Beijo no ❤

Bea

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Não tem nada de errado com seu vinho suave…

Olha nós aqui 🙂

Ainda numa vibe meio nostálgica, remember, de saudade… pensei muito e resolvi abrir meu coração aqui com vocês. Vou escrever hoje a respeito do meu ponto de vista sobre esse assunto, e ressalto: tudo que coloco aqui são conhecimentos que me vieram com o tempo, as oportunidades, paciência e a vontade de ir atrás pra dominar certos assuntos – que antes eram rasos, se não nulos.

Meu pai é entendido dos wines, comentei isso aqui quando me apresentei. Foi a inspiração dada pelo Sr. Carlos que me fez vir atrás do curso, pra aprender e desenvolver o famoso téte-a-téte a respeito de algo que ele gosta tanto. Minha mãe já é a favor dos docinhos, minhas irmãs também… já brigamos muito por isso, até que eu finalmente entendi. Então, o post de hoje dedico a elas!

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Foto tirada do arquivo pessoal com data de “dois mil e passava o clone” ou “dois mil e pitchulinha do pokemon” hahahahahahah

 

Enfim, indo direto e reto: Sei que muitos têm preconceito, sei que alguns não chegam nem perto… mas poxa, não tem nada de errado em beber vinho suave. E falando meio goianês, sabe que eu “custei” aceitar isso?

O paladar brasileiro é condicionado a escolher o sabor adocicado, principalmente depois de uma infância regada a refrigerantes, sucos e diversos industrializados que ingerimos sem medo da felicidade. Por isso, somos acostumados a optar pelo doce, sempre. Não nego que durante a adolescência eu tomei bastante vinho docinho (tu já tomou um gole escondido do pai que eu sei), mas me senti julgada quando entrei na faculdade e senti que eu não podia mais pender pro lado do suave. Me obriguei a ir pro lado seco da força, e aqui estou até então… heheheh.

Claro, hoje entendo que dificilmente você encontra alguém com o hábito de beber vinho seco tomando um suave… eu, por exemplo, não tomo mais. Questão de costume e paladar. Meus amigos daqui do sul cresceram com o avô molhando a chupeta na taça. Da mesma maneira, dificilmente vamos agradar quem gosta de vinho suave se presentearmos com vinho seco. E aí que eu digo: compre vinho suave pra dar de presente pra essa pessoa. Não obrigue seu coleguinha a beber o que você gosta por julgar como correto.

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Estamos falando de vinhos de mesa suaves, não falamos aqui no post de vinho licoroso, coquetel alcoólico de vinho nem nada disso… certo?

Agora vamos para as curiosidades… Você sabia que o consumo anual per capita de vinho no Brasil está em torno dos 2 litros por pessoa? E talvez você sabia que mais da metade desse número é consumido em vinho suave? Pois é Brasil… eu demorei pra aceitar, mas o sucesso dele é real oficial. Sem mais preconceitos com quem gosta do docinho… e pra superar preconceitos, precisamos nos questionar a respeito de algumas coisas:

Vinho suave é de pior qualidade? Não necessariamente, até porque esse termo quando referido ao paladar é muito relativo. Um vinho pode tranquilamente ser seco e de péssima qualidade. O que devemos considerar é a presença ou não de defeitos microbiológicos que se sobressaem em aroma, cor, sabor… não podemos dizer que não é de qualidade porque não agrada nosso gosto pessoal.

Algumas vezes pelo preço podemos acabar julgando também, mas não é bem assim. As uvas utilizadas pra se fazer a maior parcela de vinhos suaves que encontramos são de variedades americanas (as chamadas uvas comuns, não as finas). Essas uvas tem um baixo custo na comercialização quando comparadas às uvas finas, o que já é um ponto a ser considerado. Estamos falando aqui de Isabel, Bordô, Concord, Niágara, entre outras que também são utilizadas para produzir suco. As uvas finas seriam as variedades europeias, como a Merlot, a Tannat, a Cabernet Franc e tantas outras que já falamos bastante aqui na página. 

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Mas qual é efetivamente a diferença sensorial das uvas finas e das uvas comuns? Bom, o “efeito” diferenciado se dá pelo aroma foxado que encontramos nessas variedades. Com certeza você já sentiu e vai saber exatamente do que eu to falando: aquele cheiro intenso, adocicado e terroso de um suco de uva integral. Em outras palavras, foxado é o aroma de fruta, mesmo após passar pela fermentação. 

Claro, o adocicado “mascara” diversas características que as vezes durante uma avaliação sensorial procuramos, como um possível amargor,  acidez, os aromas, e os sabores em geral. O dulçor se sobressai e acaba prejudicando a análise de outros aspectos do vinho. Mas pra alguém que não tem o objetivo de avaliar, apenas descontrair, não tem problema algum a graduação elevada do açúcar. 

Falando nisso, o vinho suave leva açúcar? Olha, sim. Durante o processo de fermentação, pode acontecer uma correção – chamada chaptalização – que é permitida por lei. As uvas que não chegam  ao índice suficiente de açúcar para fermentação podem ser corrigidas com açúcar cristal. Claro, sem exageros né? Deve ser uma correção dentro dos limites estabelecidos, e não um milagre pra salvar a uva do vale da sombra da morte.

Em especial, para vinhos suaves, é adicionada durante a chaptalização uma quantidade maior de açúcar, para que quando aconteça a parada da F. Alcoólica ainda exista acima de 25 g/l de açúcar residual naquele vinho – o que o encaixa na categoria de suave.

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Grosso modo, “todo vinho é em essência seco”. Todo açúcar é quimicamente passível de se transformar em álcool. Porém, quando o vinho atinge o teor alcoólico desejado, é feita uma parada de fermentação e o açúcar residual se torna o protagonista.

O vinho suave dá mais dor de cabeça? Olha… quimicamente eu posso te dizer que sim.

Em primeiro lugar, tem mais açúcar residual, então existe um risco mais elevado de contaminação microbiológica no caminho até sua casa. Portanto, é adicionada uma dose maior de conservantes – que pode fazer mais mal para alguns do que para outros.

Segundo ponto… Como boa parte do vinho suave é feito com uva comum, esse também é um motivo: a Vitis labrusca produz em maior quantidade uma proteína, chamada pectina. Quando essa proteína se degrada ela produz metanol, que é tóxico ao corpo humano. Todos os vinhos possuem metanol, mas as doses variam de 50 a 300 mg/l. Claro, existe um limite permitido por lei (350mg/l), considerando que 10ml podem prejudicar o globo ocular e 30ml podem causar a morte. Tudo isso pra te dizer que: o que dá dor de cabeça pode ser o metanol, sim. 

Terceiro e último, mas não menos importante: o álcool dá dor de cabeça, né pessoal. Ele é naturalmente um vasodilatador e neurotóxico. E ainda devemos considerar a desidratação que causa no corpo, já que ele inibe a produção do hormônio antidiurético, que regula a perda de água do nosso organismo. Já reparou que enquanto estamos bebendo, uma vez que a torneirinha abre, não fecha mais né? É disso mesmo que eu to falando… O álcool dá dor de cabeça sempre porque ele é tóxico, vasodilatador e desidrata.

Seja qual for a situação… eu indico um Engov antes e um depois. Sério, funciona. hahahahah

Bom, acho que estamos aprimorando bem nossos conhecimentos sobre vinhos, eu pelo menos preciso pegar caderno, ligar pro colega, pesquisar, chamar o samu, pesquisar mais… e assim a gente segue!

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O meu objetivo MESMO com o post de hoje era deixar isso claro… pra ninguém mais se chatear (ou sair por aí chateando) por pensar diferente. O que faz do teu vinho um bom vinho é o teu paladar e a tua companhia, seja ela de 20 amigos, de um amor ou apenas da sua taça e de um livro. 

Vamos aplicar aos vinhos aquilo que a gente mais gostaria de aplicar sempre na vida: ser “de boas”!

Finalizo por aqui, e logo estamos aí novamente! Espero que tenham gostado…

Beijo no ❤

Bea

Catuaba, Keep Cooler, Sidra… afinal, o que estamos bebendo?

Buenas pessoal!

O post de hoje é dedicado às minhas queridas amigas que, no final do ensino médio, me apresentaram a famosa catuaba!

Resolvi conversar aqui com vocês a respeito de algumas bebidas que ouvimos e bebemos durante toda a vida, mas nem sequer nos perguntamos o que realmente estamos comprando.

Vamos falar de Martini, Catuaba, Keep Cooler, Presidente, Dushy… CLARO, eu coloco aqui os nomes comerciais usuais, mas o objetivo é justamente descrever e esclarecer qual produto estamos realmente adquirindo e consumindo. Não tem #publi, o objetivo real aqui é a informação mesmo! E nada melhor pra falar disso do que eu mesma de garota propaganda na festa do curso de 2014, o famoso Bacanal.. Hahahahah 💗

Tem garota propaganda de Presidente melhor que eu mesma pra esse post?? Hahahahaha. Lembrança da festa do curso de VitiEno, Bacanal de 2014. 💗

Em primeiro lugar, não falaremos hoje de uma categoria de derivados em específico, é uma explanação superficial da base de fabricação de cada um… qualquer correção ou adição de informações a respeito dos produtos, estamos sempre disponíveis a ouvir e aprender mais também… 😉

É muito comum, acompanhando filmes, séries, novelas e afins, nos depararmos com um bar de hotel – nesse ponto você começa a imaginar a cena – com uma meia luz, música estilo lounge, uma mulher estilo Camila Pitanga tomando martini com cereja, um homem meio James Bond chegando tomando o coquetel dry martini com azeitona pra conversar com a moça… claro, os dois com aquela taça cônica típica do drink… você já quis ser a Camila/o 007 na vida?

Então primeiro… vamos ao Martini:

O Martini é um vermute, e tem sua base feita com vinho, mas não pode genuinamente ser considerado um. Se encontra na categoria dos vinhos compostos, e em sua base de “misturas” deve conter losna. Por lei, possui no mínimo 70% de vinho, e de restante deve trazer uma infusão de ervas, temperos, cascas e raízes diversas. O coquetel do martini extra dry é feito com o 1/5 de vermute e 4/5 de gin ou vodka, e vai muito bem com uma azeitona dentro da taça – que combina com o seco, e a salmoura equilibra com a acidez. Já o dolce pode ser servido com a cerejinha.

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Junto ao Martini, temos a famosa Catuaba!

A catuaba é bem antiga, mas se popularizou nos últimos anos com a galera jovem, por conta do preço e do sabor docinho. Ela também é um vinho composto adocicado, que – a princípio – é feito com as mesmas teorias do martini… vinho, açúcar e infusão de ervas e raízes. Dessas raízes viria a fama de “afrodisíaca”, mas pelas minhas pesquisas realizadas pessoalmente e meus cálculos… é só o álcool agindo. E ah! Por conta do excesso de doçura da mistura, é adicionada uma quantidade significativa de conservantes à bebida, e isso justifica possivelmente a sua ressaca do dia seguinte.

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Mas nada supera o Presidente!

Quem nunca fez careta depois daquele gole de presidente tá perdendo um ícone da cultura nacional dos botecos deste país! Hhahahahaha… o Presidente tecnicamente falando é uma cachaça com gengibre – que de acordo com a legislação brasileira, pode ser chamada de conhaque. É uma das bebidas mais famosas do Brasil, e quem produz é a Vinícola Salton. O conhaque (ou Cognac, termo francês), é feito com vinho destilado, e deve ter de 40 a 60% de álcool. Podem ser oferecidos ao público sem envelhecimento, single barrel – envelhecido em barril de carvalho, e o famoso “sistema solera”, onde os mais jovens vêm por cima na piramide, e os mais envelhecidos são retirados da base após alguns anos, seguindo o ciclo. Nesse sistema, ocorre um blend de todas as camadas da piramide, em busca do equilíbrio perfeito.

E o Campari, com aquele vermelho lindo…

É uma bebida italiana, mas o produto em si é um bitter, e encontramos diversos tipos pelo mundo todo. O bitter segue o mesmo princípio de infusão de ervas dos vinhos compostos, mas a mistura é feita em água destilada e álcool, e tem graduação de 23 a 28%. As opções disponíveis para degustar é o tradicional shot da bebida, ou uma dose com bastante gelo, ou em drinks. Por ser muito amargo, se torna difícil degustar puro, sem adições.

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Segurando um pouco no teor alcoólico, vamos ao famoso estouro de fim de ano, Gotas-Espuma-Chuva de Cristal-Prata.

É tanto nome diferente – e parecido – pro mesmo produto que chega a confundir. Mas não se engane, não é espumante. Esse sim é derivado da uva, e deve ter até 5% de álcool. Pode ser parcialmente fermentado ou apenas ter vinho de mesa adicionado ao suco, e ter até 3 atm de pressão adicionada artificialmente. Geralmente vem com rolha de plástico, pra diminuir o custo final de fabricação e chegar em um preço mais acessível pro consumidor.

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Peterlongo, vinícola que fabrica um dos filtrados mais famosos: Espuma de Prata.

Ainda nessa vibe fim de ano, quem nunca brindou com sidra a chegada do novo ano?

Também não é um espumante, ok? É fermentado, mas obtido através do mosto da maçã, e não da uva. Deve ter de 4 a 8% de álcool, e pode ter adição de água ou não. Ela pode ser gaseificada, mas é proibido chamar de champanha/e, espumante, ou qualquer outra denominação que não seja a correta, pra não ter consumidor sendo enganado.

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Duas palavras: QUEM NUNCA brindou o ano novo com sidra Cereser? Hahahahah essa imagem é em homenagem ao meu querido Gabriel Gontijo que adora uma sidra!

E o keep cooler? De onde vem?

Esse eu duvido alguém não conhecer, e o preço também é super camarada. É produzido pela Vinícola Aurora, e possui graduação alcoólica entre 3 e 7%, obtida pela mistura de vinho de mesa, suco – de uma ou mais frutas – e água. Pode ser gaseificado artificialmente e ter açúcar adicionado, sem problemas. Seu conteúdo deve ter, no mínimo, 50% de vinho, que pode ser parcialmente substituído por suco de uva. A única bebida alcoólica permitida no drink é o vinho, nenhuma além. Suas adições só podem conter extratos, essências aromáticas ou corantes que sejam naturais, além do caramelo.

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Dushy: Se ainda nao tomou, ainda vai tomar!

Por fim, sem a presença do álcool… com certeza no mercado perto da sua casa você já viu um Dushy, ficou com vontade de comprar, não sabia o que era e deixou por isso mesmo… talvez você já até comprou, achou gostosinho e já tá pensando em comprar de novo pro fim do ano.

Pelo nome você talvez não lembre, mas pelo rótulo com certeza vou te lembrar. Novamente, não é espumante. É o famoso drink das crianças! Quem nunca brindou a chegada do tão esperado 2002 com o espumante sem álcool que o pai comprou? Pros mais abastados, viu o Brasil ser Penta com a taça (de Dushy) na mão… DELÍCIA. Eu amava. Não querendo estragar o sonho de ser Paris Hilton de muitos, O Dushy é só um coquetel de frutas, elaborado com extratos naturais de frutas e gaseificado artificialmente.

Como curiosidade pra quem já cogitou fazer o curso de Enologia, aqui no IFRS temos uma matéria específica de estudo de derivados, onde vemos todos os produtos que podem ser feitos a partir da uva e do vinho, aprendemos a legislação, temos aulas teóricas e práticas, fazemos alguns produtos (na medida do possível), e degustamos o que foi feito em aula de análise sensorial. É uma experiência bacana!

Agora, se rolou aquela curiosidade pra saber sobre Vinho do Porto, Jurupinga, Hidromel, Saquê, Cantina da Serra… ou qualquer outra bebida alcoólica – ou não – de seu interesse, quem sabe um dia não abrimos o leque de conhecimentos mais um pouquinho aqui e colocamos mais opções aqui no blog. Mas qualquer coisa, aí no conforto de sua casa, só dar uma olhadinha no rótulo e conferir a descrição… Obrigatoriamente você deve ser informado no verso detalhadamente a respeito do que está tomando. E né, sempre bom conferir.

No mais, é isso por hoje, espero que tenham tido lembranças divertidas com as bebidas de hoje e apreciem melhor os drinks que consomem – sabendo do que se trata. E claro né, se beber chama uber! Vai de carona, pega táxi… Botar a vida de outros em risco nunca é uma opção.

Beijo no ❤

Bea

50 tons de… Rosé!

Oi gente linda! ❤

Como estamos finalizando o Outubro Rosa e já falamos post passado a respeito do verão, venho hoje dar uma opção que não pode faltar na vida de um bom apreciador: Que tal um rosé?

Infelizmente muita gente ainda tem um certo preconceito com essa categoria por conta de mitos e histórias de antigamente, além de ser divulgado como “para mulheres” por conta da cor, da leveza e da delicadeza… mas tudo pode ser conversado e esclarecido.

Por isso, hoje eu to aqui pra contar um pouquinho do processo de vinificação de vinhos rosé (que tem mais de um caminho pra se chegar nessa coloração) e dar algumas dicas de vinhos que eu tomo e recomendo!

O processo por trás de um vinho desses é mais trabalhoso do que se pensa, viu? Existem alguns pontos críticos… tem até paleta de cores pra entender o rosé, tirando todas as possibilidades de dar errado e não chegarmos ao tom desejado.

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Foca na paleta pantone do wine rosé pra não errar mais no tom!

Em primeiro lugar: vinho rosé é feito com corte de vinho branco e tinto?

Você já deve ter ouvido falar do vinho com coloração “casca de cebola”, ou “pêssego rosé”, “blush”… Tem salmão claro, salmão profundo, tem aqueles rosas mais ~chocantes~… mas antes, te explico que esse vinho pode ser elaborado a partir de dois métodos diferentes:

Maceração da uva tinta por tempo reduzido: como já contei antes aqui pra vocês, o vinho tinto é feito a partir de uvas com casca tinta e polpa branca, onde o vinho permanece durante a fermentação junto com as cascas, e depois o conteúdo do tanque é separado… cascas descartadas, líquido (já tinto) armazenado. Isso é chamado de maceração. O vinho rosé pode ser feito por esse método também, porém as cascas são separadas com algumas horas ou apenas poucos dias do líquido – e não mais de uma semana, como é feito com tintos. Quando prensado, o líquido já sai no tom rosáceo, e é só finalizar a fermentação. O maior problema desse método é acertar a coloração certa, desejada pelo enólogo… mas nada melhor que a experiência pra sair tudo 100%.

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Pra ninguém mais se perder nos processos… essa foto mostra as uvas macerando durante a fermentação, onde acontece a extração de compostos da casca pro vinho.

Corte de vinhos prontos, brancos e tintos: Um método mais preciso é o corte entre vinhos brancos e tintos, onde é possível obter minuciosamente a coloração desejada. Dependendo da variedade tinta escolhida, apenas uma pequena quantidade já é suficiente pra deixar a coloração bacana. Essa parcela pode ser de apenas 2% do volume total – como aconteceu comigo, conto logo mais meu relato. Esse método não tem muito segredo, é uma maneira até mais segura de garantir a coloração final do produto.

Os dois métodos também podem ser associados, quando a coloração final da maceração não atinge o tom desejado… Agora, temos um detalhe que nem todo mundo te conta: você sabia que a o tom final do seu rosé tem tudo a ver com a variedade escolhida? De acordo com a uva vinificada, o seu tom vai puxar para o laranja ou para o rosa. É lindemais, né?

No quesito harmonização, um vinho rosé pode tranquilamente ser tomado sem acompanhamento ou numa ~espera~ pelo jantar com alguns petiscos, o famoso pãozinho com patê, né? Hahahahah deixando a gracinha de lado, os rosés de todos os tipos são famosos por combinarem muito bem com um frutas, saladinha, um ratatouille como já ensinei aqui no blog, pizzas com queijos como ricota, risotos, massas de molhos leves, peixes e frutos do mar em geral.

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Tenho essa garrafa guardada até hoje porque me APAIXONEI por esse rótulo, pela cápsula, pelo tom do rosé, pelo wine… guenta coração. ❤ Tirei na Vinícola Fazenda Santa Rita que fica em Vacaria – RS, em uma viagem que fiz com a turma e o prof. Cury. Ê saudade…

Nos aromas e em boca, dependendo do seu “tom de rosé escolhido”, vamos encontrar algumas características particulares… em rosés mais claros, podemos encontrar um floral, frutado de caráter cítrico (como abacaxi, limão, laranja), frutado tropical (pêssego, manga, damasco) ou até uma certa mineralidade. Em rosés mais profundos já podemos encontrar frutas vermelhas (cereja e morango pouco amadurecidos), especiarias (como pimenta e canela), amêndoas… vai da sua experiência e da sua biblioteca olfativa.

Como eu disse que contaria meu relato… em janeiro/17, me juntei com alguns amigos, compramos uvas e vinificamos na vinícola da faculdade. Conseguimos alguns quilos de Pinot Noir de qualidade, suficiente pra cerca de 300 litros. Primeiramente, separamos manualmente todas as uvas danificadas ou não amadurecidas completamente. Tentamos conseguir o rosé a partir da maceração de uma parte das uvas, mas quando juntamos com a parcela vinificada em branco tivemos um rosé beeeeem clarinho, que não era o que queríamos.

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Reunião TENSA na cantina do IFRS pra definir no nosso degrade pantone qual seria a cor escolhida… a primeira taça é o rosé que conseguimos, as outras com adição de vinho tinto em quantidades diferentes. Se não me engano, as próximas são 1, 2, 3 e 4 gotas, respectivamente. Ficou lindo? Ficou. Fizemos VÁRIOS cálculos? Fizemos. Deu certo? Não. Hahahahahah.

Depois da primeira fermentação finalizada, conseguimos 4 litros de um vinho pronto de boa qualidade da variedade Alicante Bouschet, que é MUITO tinta (uma das poucas de polpa e casca tintas, que chega a pintar a boca). Fizemos alguns testes de cor e tomamos a decisão mais sã pra 6 jovens despretensiosos fazendo vinho nas férias: botar os 4 litros nos 300 e ver no que dava. Ok, eram pouco mais de 3 depois que o Henrique degustou algumas quantas vezes (love you, henrique). Adicionamos as leveduras, engarrafamos e esperamos a mágica da segunda fermentação acontecer. E não é que deu certo? Heheheh. Ainda estão em autólise na cantina do Instituto, mas fizemos algumas degustações e vou colocar algumas fotos pra vocês conferirem aqui no post.

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Resultado “final” do nosso espumante rosé depois da segunda fermentação. Levamos pra degustação em aula de análise sensorial… só elogios. Entregamos pra direção da ABE avaliar, e só elogios. Foi uma surpresa gratificante. Valeu turma! Hahahahah

Agora, depois de mostrar pra vocês os dotes enológicos de meus queridos colegas, vou colocar em sequência algumas indicações de vinhos que tem tudo a ver com o que falamos hoje:

Espumantes

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1. Casa Perini: Aquarela Moscatel Rosé, R$40,00.

2. Casa Valduga: Espumante Brut Reserva Blush, R$60,00.

3. Vinícola Pizzato: Fausto Brut Rosé – Método Tradicional, R$50,00.

Vinhos Tranquilos

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Coop. Vinícola Aurora: Merlot Reserva Rosé, LANÇAMENTO.

Vinícola Fazenda Santa Rita: Merlot Rosé, R$60,00.

Vinícola Luiz Argenta: Rosé, R$60,00.

Casa Valduga: Naturelle Frizz Rosé Suave, R$40,00.

Por hoje era isso, é sempre bom colocar mais coisas novas aqui pra todo mundo conhecer e degustar! Qualquer dúvida, ajuda, opinião, dica, conselho amoroso, se vai chover amanhã… estamos sempre disponíveis! 🙂

Beijo no ❤

Bea

Drinks de vinho pro verão!

Oi pessu!

Como estamos?

Verão chegando, calor incomodando… então resolvi colocar hoje dicas de 4 drinks com vinho, que podemos fazer em casa pra receber os amigos e dar aquela refrescada!

1 – MIMOSA/FORMOSAMimosa

  • Gelo, na quantidade que desejar;
  • 2 rodelas de laranja;
  • 100ml de espumante, da sua preferência;
  • 100ml de suco de laranja;
  • 1 cerejinha (daquelas em calda) – opcional;
  • 10ml de licor de framboesa (ou o de sua preferência) – opcional;

É só colocar tudo em um copo, dar uma mexidinha básica, e tá pronto! Se quiser fazer em jarra, só ir dobrando as quantidades… desde que o espumante e o suco estejam na mesma proporção, tá no caminho certo! Ali na imagem do lado tem exemplos de mimosa com outras frutas, mas meio “inacessíveis” no Brasil. Mas aqui o objetivo é sempre criar e inovar, né? Então vale testar com amora, morango, limão… não tem problema algum. 😉

2 – TINTO DE VERANO tinto de verano

  • Gelo, na quantidade que desejar;
  • 2 rodelas de limão siciliano;
  • 3 folhas de hortelã;
  • 100ml de vinho tinto;
  • 100ml de refrigerante soda ou água tônica.

Servir em um copo grande, de preferência. Só misturar tudo com cuidado e beber! Dependendo do gosto particular, usar a soda limonada torna o drink doce demais e enjoativo, por isso é possível também colocar água tônica, que não tem problema algum.

3 – SANGRIAsangria

  • 1/5 abacaxi em cubos;
  • 1 maçã fatiada, com casca;
  • 2 colheres (rasas) de sopa de açúcar;
  • 150ml de suco de laranja;
  • 100ml de gin;
  • 500ml de vinho tinto;
  • 250ml de água tônica.

Essa receita é pra fazer uma jarra, e eu recomendo colocar o gelo direto no copo! É meio curioso, mas eu aprendi a fazer sangria em uma matéria da faculdade, e a “receita oficial” não vai cubos de frutas… mas é do gosto de cada um, né?

A sequência que aprendi na faculdade foi:

  • Vinho – 500ml
  • Suco cítrico – 300ml
  • Água – 100ml
  • Açúcar – 2 colheres (rasas) de sopa – opcional
  • Bebida destilada  – 100ml

Na essência, o total da receita tem que ter pelo menos 50% de vinho, 10% de suco e no máximo 10% de destilados (vodka, licor, whisky… o que você mais gostar). Não é difícil, né? ^-^

4 – CLERICOTclericot

  • 10 morangos em cubos;
  • 2 laranjas em rodela;
  • 10 bagas de uva sem caroço;
  • 1/2 abacaxi em cubos;
  • 4 kiwis em cubos;
  • 1 garrafa de vinho branco seco ou espumante brut;
  • Bastante gelo;
  • Uma lata de soda limonada;
  • 20ml de licor de laranja ou rum.

Tá feito o clericot! Eu recomendo as frutas mais maduras, pra que elas não se desmanchem no drink e forme um líquido turvo, que mal dá pra ver as frutas ou as bolhinhas do espumante.

5 – BÔNUS

Essa é a mais simples de todas, mas fica uma delícia! Alguém já pegou uma taça de espumante e colocou um picolé dentro! É bem simples e fica super gostoso!

De preferência, usar picolé de frutas cítricas. Deixo uma foto pra vocês se inspirarem:

picolé.jpg

Vou deixar aqui o link de quatro receitas do Buzzfeed pra 4 sangrias diferentes, com vídeo e tudo, só clicar AQUI.

Espero que tenham gostado, e nos vemos em breve!

Beijos no ❤

Bea

Mito ou verdade?

Opaaa, olha nós aqui de novo! 🙂

Bom, hoje não tem um tema em específico, na realidade vai ser mais um “resumão” de tudo que já conversamos aqui… em forma de mito ou verdade!

Comecemos, então?

Primeira questão…

Vinho se faz com qualquer tipo de uva!

Epa… Pra fazer vinho, basicamente, a casca precisa se soltar da polpa… se você apertar a baga levemente, a película vai se rasgando e soltando toda a polpa… com essas uvas, você pode fazer vinho. Agora, é complicado pegar as uvas com a película presa à polpa, como uma variedade Itália ou Red Globe, pra vinificar, né?Então é MITO, não se pode fazer vinho com qualquer uva! 😉 Qualquer duvida, falei sobre isso laaaá no segundo post da coluna..

Uva pode ser colhida o ano todo.

Infelizmente não… 😦 a uva tem um ciclo anual, e aqui no RS só dá pra colher do finalzinho de dezembro até março… de resto, não tem nadinha de uva. Nem umazinha. Aqui funciona assim por conta do inverno, que a planta entra em dormência e não temos condições climáticas de dar sol e calor suficientes pra planta se desenvolver. No nordeste, onde é calor e seco o ano todo, eles podem gerenciar o ciclo e desenvolver de maneiras diferentes cada quadra plantada, podendo haver colheita o ano todo. Então: No sul, MITO, no nordeste, VERDADE!

É adicionado álcool ao suco de uva pra se tornar vinho..

Naaanana… o vinho é feito por um processo natural, chamado fermentação, onde as leveduras transformam o açúcar da uva em álcool.Nada de adição! Então: é um MITO! ^-^

Dá pra fazer vinho branco com uva tinta.

Gente… verdade! São os chamados Blancs de Noir, vinhos brancos feitos a partir de uvas tintas, afinal, a cor está na casca. Se não houver contato do líquido/mosto da uva com a casca tinta, não haverá passagem de cor! Então, VERDADE!

Uva tinta polpa branca.JPG

Achei essa foto linda, hahahha olha ela… mas dá pra ver certinho ali a polpa branca na uva tinta, né?

Todo vinho é de guarda.

Opa! Nem todos os vinhos são de guarda, alguns são feitos justamente pra serem consumidos em pouco tempo, certo? Como meu pai diz… Uma queijaria tem seu mussarela e seu parmesão. O parmesão precisa de tempo pra amadurecer, e o mussarela é pro dia dia, de venda corrente. O parmesão custa mais caro por conta desse tempo amadurecendo, o mussarela já é mais acessível… esse é o ritmo! Então é um MITO: nem todos os vinhos são de guarda. E ah! Até os de guarda tem sua hora de decadência..

O vinho pode ser servido a qualquer temperatura.

Olha, com sinceridade? VERDADE. A única pessoa que pode dizer o que você pode ou não pode com seu vinho é você mesmo! Vamos parar de ditar regras e beber mais, né não? Hahahahah… Existem indicações de temperaturas ideais, mas quem realmente deve escolher a temperatura final é você, consumidor. Existe até uma campanha super tri com o Passion da Chandon, que deve ser tomado com uma pedrinha de gelo, viu? 😉

Champagne é mais dificil de fazer do que espumante.

Não me arrasa não! Falamos aqui sobre espumantes, que são vinhos fermentados duas vezes… brevemente sobre o método charmat e detalhadamente sobre o método champenoise. O champagne nada mais é do que um espumante feito APENAS na região de Champagne, na França, pelo método champenoise! Nada além… Aqui no brasil temos diversos espumantes feitos pelo mesmo método, só não são champagnes! Heheh Então: MITO!

Casa-Valduga-Espumante-Metodo-Champenoise

Processo de remuage do espumante feito pelo método champenoise

Os espumantes brasileiros estão entre os mais premiados do mundo.

É com muito orgulho que eu digo: VERDADE! Nos últimos anos temos ganhado medalhas e prêmios internacionais, além do reconhecimento do público do mundo todo que tá sabendo que nosso vinho é de qualidade! Lembrando que: o gás é advindo da segunda fermentação, não é adicionado, ok?

Os aromas que encontramos nos vinhos são essências adicionadas.

Uma das perguntas mais comuns… falamos sobre isso detalhadamente no post sobre aromas do vinho. Os aromas encontrados no vinho são advindos apenas da uva, da fermentação e da maturação em madeira, nada além, sem adições, ok? O único vinho que pode ter adições é o chamado “vinho composto”, como martini, catuaba… mas aí já é assunto pra outro post 😉 portanto… MITO!

As uvas ainda são pisadas pra se fazer vinho.

Uma das dúvidas mais engraçadas e piniquentas! Hahahah… na realidade, as uvas não são mais pisadas, porque existem impurezas que podem ser passadas pro vinho, afinal é meio nojento… vai saber quanta frieira não tem ali. Hoje existem métodos mais tecnológicos, com máquinas que desengaçam e prensam a uva, sem que ninguém precise pisar. É MITO!

Gente… deu pra relembrar legal? Eu só peguei algumas questões dentre milhõooes que podemos fazer, então nada impede de voltarmos nesse assunto de mito e verdade em breve, então fica de olho! Quem sabe futuramente abordo aqueles temas que todo mundo comenta… “vinho engorda?”, “uma taça equivale a uma hora de academia?”, “faz bem pra saúde?” e muitas outras mais dia a dia e menos técnicas, né? Então tá. 🙂

Por hoje a gente fica por aqui, a ideia era realmente só fazer um papo-rápido relembrando algumas coisas importantes que já comentei aqui no blog. Qualquer questão que surgir dúvida, não pense 2x, pode me mandar que eu respondo prontamente!

No mais, fico por aqui, espero que tenham relembrado um pouquinho de tudo que já aprendemos aqui. ^-^

Beijo no ❤

Bea

Espumante ou champagne?

Nota inicial: no final coloquei um mini-dicionário das palavras novas complicadinhas que aprendemos hoje, ok? ❤

Oi pessu!

Aproveitando que a gente tá mais pra lá do que pra cá quando se trata de fim de ano, pensei em responder hoje uma pergunta bem válida pra essa época “pré-festiva” quando se é iniciante no mundo do vinho:

Qual a diferença entre o champagne e o espumante?

Não seria tudo a mesma coisa?

Pois então… não! E ao mesmo tempo… sim! Mas calma que eu te explico o porquê.

Em primeiro lugar… vamos definir o que é um ESPUMANTE:

O espumante é o resultado de um vinho que passou por duas fermentações. A primeira é a fermentação alcoólica, que transforma a uva em vinho. Esse vinho em específico, chamamos de vinho base. Essa fermentação acontece a partir das leveduras, que consomem o açúcar e o transformam em álcool e gás carbônico. O gás é liberado e resta apenas o álcool presente.

A segunda fermentação deve levar o vinho base, com 1 atm para 4 a 6 atm de pressão, e pode acontecer através de dois métodos diferentes: charmat e champenoise.

  • Charmat, ou “em tanque”:

É utilizado geralmente por vinícolas de maior porte, por ter um custo inicial bem salgadinho… são necessários tanques de inox que suportem pressão. A levedura é adicionada ao tanque de inox pra que ocorra a segunda fermentação ali mesmo. E aí sim, teremos a permanência do gás que caracteriza o espumante. Após o término da fermentação, é necessária uma enchedora específica, pra que seja mantida a pressão durante o enchimento – o que encarece ainda mais o processo.

Geralmente os espumantes feitos pelo método Charmat tem maior frescor e drinkability, já que o vinho não fica muito tempo em contato com a ~levedura morta~ após o término da fermentação, deixando-o mais leve, descontraído e com aromas mais frutados, cítricos e tropicais.

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Na Chandon, o coisa fofa do Rafael Smaniotto tirando uma amostra do espumante em fermentação no tanque de inox (sim, dá pra provar!!!!) 🙂

  • Champenoise, ou tradicional, ou clássico:
dona bita

Espumante Dona Bita, com maturação mínima de 70 meses, da Don Giovanni.

A levedura é adicionada ao vinho base e, em seguida, esse vinho já é engarrafado. A segunda fermentação acontece dentro da garrafa. Nesse momento, a vedação ainda não foi feita com rolha, e sim com a tampa corona (a mesma da cerveja). Após o término da fermentação, as garrafas devem ser deixadas paradas por um tempo, pra que os aromas de “vó fazendo pão” (de levedo) não fiquem tão ressaltados. Nisso, o espumante permanece em contato com a levedura, o que chamamos de autólise. Esse tempo pode ser de 6 meses, 18 meses, 36 meses… temos espumantes em edição especial que podem chegar, por exemplo, a 70 meses, como o caso do espumante brasileiro Dona Bita da vinícola Don Giovanni.

autolise

Autólise, na vinícola Guatambu.

Gente… são QUASE SEIS ANOS da garrafa ali, parada, pensando na vida – no caso fazendo a autólise. Esse tempo de contato com a levedura gera uma maior complexidade da bebida em termos aromáticos, afinando também a perlage (ou bolhinhas) e dando volume de boca. Haja valor agregado, né?

Pra retirar aquele precipitado de leveduras da garrafa, são necessários pupitres, onde são encaixadas as garrafas em posição horizontal, e então é realizada a rémuage: todos os dias, todas as garrafas devem ser giradas 1/4 da circunferência, e levadas lentamente até a posição vertical. Dessa maneira, toda a borra presa ao vidro se acumula no gargalo, e o vinho fica límpido. Pra retirar a sujeira dali, acontece o degorgement: a garrafa é colocada ainda de cabeça pra baixo num recipiente que congela o sedimento, expulsando-o junto à tampa com a pressão. Em seguida, é adicionado o licor de expedição, que vai definir em dosagem de açúcar se seu espumante é nature, extra-brut, brut, seco, demi-sec ou doce.

classificação açucar

Classificação dos teores de açúcares dentro da legislação brasileira.

Esse método é interessante para pequenas produções e não exige um custo inicial elevado. Porém, em caso de muitas garrafas, deve haver espaço o suficiente para que sejam armazenadas. Alguns espumantes método champenoise famosos são o 130 da Valduga, o Évidence da Salton, o Miolo Cuvée Tradition, Dal Pizzol Nature 40 anos, Terroir Rosé Brut da Cave Geisse… coisa boa é o que não falta!

Boooooooom…. agora que já aprendemos a fazer um espumante, em especial pelo método tradicional… e o champagne?

Então… o champagne é o espumante produzido na região que leva o mesmo nome, no nordeste da França, e tem leis bem rígidas que controlam a produção da bebida. Uma das especificações, é o uso exclusivo de apenas 3 variedades na vinificação: Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier. O nome “champagne” é uma AOC, uma Denominação de Origem Controlada, a mais rigorosa da França. A palavra, por lei, só pode ser utilizada pra denominar os vinhos dessa região, nenhum outro além. A regulamentação que definiu essa colocação específica aconteceu em 1927, então depois dessa data, o registro é bem claro: Nenhum vinho espumante no mundo pode ser chamado de champagne, a não ser os produzidos na região de Champagne.

champagne

Região de Champagne, na França.

O champagne é OBRIGATORIAMENTE feito pelo método champenoise, o qual ensinei ali em cima – e por isso descrevi nos mínimos detalhes. Nisso entra o Dom Pérignon, monge beneditino que descobriu que eram necessárias garrafas mais grossas pra que a pressão não as estourasse. Também tem a Veuve Clicquot (viúva de François Clicquot, Nicole Ponsardin) que desenvolveu o método pra retirar a borra de dentro da garrafa e tornar o vinho – que antes era turvo e com sabor de levedo – límpido e mais agradável em boca. Um champagne deve ficar NO MÍNIMO dois anos em autólise, e os especiais podem chegar a cinco anos. A graduação de açúcar final também é diferenciada da legislação brasileira.

Por fim, vale ressaltar a famosa frase:

Todo champagne é um espumante, mas nem todo espumante é um champagne!

Infelizmente ainda tem sido difícil “desacostumar” o consumidor brasileiro a falar champagne e utilizar o termo “espumante”… mas com o tempo chegamos lá.

E antes de finalizar o post de hoje peço, de todo meu coração:

Tome espumantes brasileiros, se orgulhe da produção nacional, linda e premiadíssima no mundo todo! Garibaldi é a nossa capital nacional do espumante, local escolhido no aqui no RS em 1973 para a implantação da Chandon Brasil, lar da Rota dos Espumantes, cidade linda de viver. Tem produtos de todos os tipos, pra todos os públicos, com medalhas em diversos concursos internacionais, que são comercializados em todo canto do mundo… vale a pena conferir, né?

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Juro: é uma das cidades mais fofas que já conheci.. hahahahah

E vale ressaltar: a maneira certa de se guardar um espumante é de pé, e não deitado, certo? Em caso de viagens, evitem carregar em mochilas ou despachar na bagagem, porque o risco de estouro e estrago é grande!

No mais, gostaria muito de especificar outros métodos de espumantização e colocar também alguns produtos que encontramos por aí como Lambrusco, Prosecco, frisante… mas já deve estar todo mundo zonzo com tanto francês! Hahahahah

Espero que tenham gostado do post, ficou um pouco compridinho, mas agora dá pra sair contando pra todo mundo como se faz champagne! Qualquer dúvida, estamos sempre aqui pra tirar, cês sabem né?

Beijo no ❤

Bea

Mini-dicionário:

Autólise: Tempo de amadurecimento do espumante em contato com as leveduras, já mortas, após o final da segunda fermentação.

Blanc de blancs: Espumante branco feito apenas com variedades de uvas brancas. Para o champagne, 100% Chardonnay.

Blanc de noirs: Espumante branco feito apenas com variedades de uvas tintas. Para o champagne, Pinot Noir e Pinot Meunier.

Champenoise: Método de espumantização na garrafa.

Charmat: Método de espumantização em tanques.

Degorgement: Fase final do espumante, onde a borra é congelada no bico da garrafa após a remuage. Objetiva a limpidez do produto final.

Drinkability: “Facilidade” ao beber.

Licor de expedição: Açúcar + vinho + conservante. Define, de acordo com a quantidade de açúcar presente, se o vinho vai ser nature, extra-brut, brut, sec, demi-sec ou doce.

Perlage: Borbulhas do espumante.

Pupitres: Cavaletes de madeira idealizados para fazer a remuage das garrafas após o fim da autólise.

Remuage: Processo de “giro” da garrafa pra levar toda a levedura presente no líquido para o bocal.

Vinho base: Vinho com acidez mais elevada, resultado da primeira fermentação, que futuramente será um espumante.

Volume de boca: Sensação de viscosidade, preenchimento de toda a boca ao degustar um vinho.